Jazz First: Por que é que qualquer coleção de música em casa deve começar por aqui

Jazz First: Por que é que qualquer coleção de música em casa deve começar por aqui

Sobre o encanto intemporal dos discos de jazz e a razão pela qual constituem a base de qualquer coleção.

Por Rafi Mercer

Toda a prateleira precisa de uma base. Antes do ecletismo dos géneros, antes das experiências de gosto, há um núcleo ao qual se regressa. Para um bar de audição, essa base sempre foi o jazz.

Entre num kissaten em Shinjuku, num loft em Nova Iorque ou mesmo num pequeno bar na cave de Londres, e é muito provável que a agulha esteja pousada num LP de jazz. A primeira onda dos metais, o silêncio das escovas na caixa, a ressonância de um contrabaixo: o jazz encaixa simplesmente nestes espaços. Não é nostalgia. É a física, a história e o ambiente a convergirem num único género.

Por que começar pelo jazz ao criar uma coleção de música para ouvir:

  • Profundidade dinâmica — o jazz passa, com elegância, de sussurros subtis a crescendos intensos.
  • Pureza acústica — os instrumentos gravados com pormenor revelam a beleza do próprio som.
  • Estrutura do álbum — muitos LPs de jazz são concebidos como um arco narrativo, e não como coleções de singles.
  • Raízes culturais — toda a tradição dos bares de música começou com discos de jazz importados.
  • Versatilidade de ambiente — o jazz pode ser contemplativo, enérgico ou coloquial.

Na Tóquio dos anos 50, o jazz não era apenas popular — era essencial. Os LPs importados custavam uma fortuna, pelo que os proprietários dos kissaten os colecionavam e permitiam que o público os ouvisse em sistemas de alta qualidade. Para os jovens ouvintes, esta era a única forma de apreciar Coltrane, Davis ou Monk com a máxima fidelidade. O jazz tornou-se o modelo a seguir, moldando tanto os sistemas de som como a etiqueta de audição.

Esse legado mantém-se. Basta colocar «Kind of Blue» num bar de audição para que toda a sala se incline para a frente. Toque «Waltz for Debby», de Bill Evans, e, de repente, o ambiente suaviza-se e as conversas tornam-se mais íntimas. Coloque Mingus ou Sun Ra a tocar e a atmosfera transforma-se em algo mais aventureiro. O jazz tem a rara capacidade de criar o ambiente certo sem o forçar.

Ainda hoje, os colecionadores e os DJs que montam conjuntos para bares de audição começam frequentemente pelas caixas de discos de jazz. É uma música que comprova o valor do equipamento. Um golpe de prato bem gravado dir-lhe-á se as colunas são fiáveis. Uma sequência de baixo testará se a sala mantém o som ou se este vibra. O jazz não se limita a soar bem — testa a fidelidade e, ao fazê-lo, revela o caráter do sistema.

Isto não significa que uma prateleira deva conter apenas jazz. Soul, reggae, música eletrónica, folk — todos têm o seu lugar. Mas comece pelo jazz e estará a definir o tom. Isso confere à coleção uma solidez, uma sensação de profundidade, um centro em torno do qual tudo o resto pode girar.

Portanto, se estiveres a montar uma coleção de discos em casa, começa por aqui. Um ou dois discos do Miles, do Coltrane, do Evans, do Mingus — e terás tanto uma base como uma bússola. Primeiro o jazz, o resto vem depois.

Perguntas rápidas

Por que é que o jazz é tão importante nos bares de música?
Porque essa cultura teve origem nos cafés de jazz japoneses, onde os LPs importados moldaram essa experiência.

Que qualidades tornam o jazz ideal?
A sua dinâmica, os detalhes acústicos e a evolução dos álbuns recompensam uma audição lenta e atenta.

Uma coleção em casa deve ser só de jazz?
Não. Mas começar pelo jazz confere à sua coleção profundidade e equilíbrio desde o início.

Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da secção «Tracks & Tales»,subscreva ou clique aqui para ler mais.

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