Bright Size Life — Pat Metheny e o Som da Guitarra de Jazz Moderna (1976)

Bright Size Life — Pat Metheny e o Som da Guitarra de Jazz Moderna (1976)

Por Rafi Mercer

Alguns álbuns surgem como a primeira luz do dia. Não irrompem no mundo com força; vão-se infiltrando nele, estabelecendo-se silenciosamente até que já não se consiga imaginar a paisagem sem eles. «Bright Size Life», de Pat Metheny, gravado em 1975 e lançado em 1976, é um desses discos. Foi a sua estreia como líder, um jovem guitarrista com apenas vinte e um anos, acompanhado por duas figuras já míticas: Jaco Pastorius no baixo e Bob Moses na bateria. Juntos, criaram um disco que não parece um começo, mas sim algo já completo, um som plenamente formado, fresco como o ar da manhã.

A primeira coisa que salta à vista é o timbre de Metheny. Limpo, arredondado, brilhante e sem asperezas, transmite a clareza de quem sabe exatamente como quer soar. Mesmo com aquela idade, ele evitava a distorção e a agressividade comuns em meados dos anos 70. Em vez disso, a sua guitarra canta — lírica, espaçosa, melódica. A faixa de abertura, «Bright Size Life», dá a sensação de que a cortina se levanta para dar início a um novo dia. A melodia é simples, mas radiante, o ritmo fluido, a harmonia aberta. O baixo de Jaco dança por baixo, ágil e articulado, como se estivesse a narrar a sua própria história ao lado da guitarra. Bob Moses proporciona pulso e cor, em vez de um tempo rígido; a sua bateria é coloquial, viva.

O que torna este álbum notável é o equilíbrio entre sofisticação e naturalidade. As composições são harmonicamente ricas, mas nunca pesadas. Fluem com uma graça natural, transportando ecos de folk, country e rock, tanto quanto de jazz. Metheny tem falado frequentemente sobre a influência da paisagem do Midwest no seu som, e isso é percetível aqui — horizontes amplos, céus abertos, melodias que se estendem como estradas que desaparecem na distância. Ao ouvi-lo de manhã, o álbum dá a sensação de uma paisagem que se desdobra, familiar mas infinitamente renovada.

Em vinil ou num sistema bem configurado, o som é cristalino. A guitarra de Metheny está gravada com calor e presença, com todas as nuances do seu fraseado intactas. O baixo de Jaco é espantoso — não só pelo virtuosismo das suas passagens, mas também pela qualidade cantada do seu tom, pelo sustain e pela ressonância que ainda hoje soam futuristas. Ouve-se a madeira do instrumento, a forma como as notas florescem e se desvanecem. A bateria de Moses está misturada com espaço, os pratos cintilantes, os tom-toms ressonantes; o conjunto soa mais como uma atmosfera do que como um motor. Juntos, o trio soa ao mesmo tempo íntimo e vasto, como se estivessem a tocar apenas para si e para o mundo inteiro ao mesmo tempo.

Faixas como «Unity Village» e «Omaha Celebration» revelam o lado lúdico do grupo, rítmico e exploratório, sem nunca perderem a sua essência melódica. «Missouri Uncompromised» é reflexiva, quase como um hino, uma lembrança de que a composição de Metheny já era capaz tanto de quietude como de movimento. E «Round Trip/Broadway Blues», a peça de Ornette Coleman que encerra o álbum, liga-o a uma linhagem mais ampla do jazz, mostrando que o lirismo de Metheny não era um afastamento da vanguarda, mas sim um caminho paralelo rumo à liberdade.

O que distingue o «Bright Size Life», especialmente quando se ouve com atenção, é o seu tom de otimismo. Muitos discos de jazz da década de 1970 debatiam-se com a densidade, a complexidade da fusão ou a intensidade elétrica. Este álbum, em contrapartida, respira. Não nega o virtuosismo — a forma como Jaco toca, por si só, é prova disso —, mas nunca confunde complexidade com expressão. Cada nota parece necessária, nada é meramente ornamental. O trio soa como se estivesse a descobrir a música à medida que a toca, e essa sensação de descoberta continua a atravessar as décadas.

Num bar onde se ouve música, *Bright Size Life* transforma a atmosfera do espaço. Basta colocar a agulha na faixa-título para que o ambiente se ilumine, as conversas se tornem mais suaves e o ar pareça mais leve. Não é uma música que se impõe; é uma música que convida. As pessoas inclinam-se para a frente, não porque têm de o fazer, mas porque querem. A interação entre Metheny e Pastorius torna-se uma espécie de diálogo que se pode ouvir de soslaio, repleto de humor, lirismo e respeito mútuo.

Em casa, de manhã, o disco funciona como um café sem cafeína. Limpa a mente, define um ritmo, cria uma calma sem inércia. O brilho nunca é agressivo; é generoso. Ao ouvir com atenção, percebe-se a paciência no fraseado de Metheny, a forma como ele deixa espaço para as notas ressoarem, a forma como Jaco preenche esse espaço não sobrepondo-se, mas complementando. É uma aula magistral sobre como ouvir uns aos outros, sobre permitir que cada instrumento seja simultaneamente solista e acompanhante.

Quase cinquenta anos depois, «Bright Size Life» continua a soar atual. Metheny viria a criar um vasto catálogo, desde álbuns em trio a orquestrações grandiosas, desde paisagens sonoras da ECM a fusões de música mundial. No entanto, esta estreia continua a ser fundamental. Contém o ADN do que se seguiria: lirismo, abertura, a melodia como arquitetura. Jaco também fica aqui preservado no seu auge, com um som eternamente jovem e ousado. Moses proporciona o equilíbrio, a elasticidade que mantém a música com os pés no chão, mas fluida.

Alguns álbuns são clássicos devido à sua envergadura ou ambição. Outros, devido ao momento em que surgiram, captando um momento cultural. «Bright Size Life» é um clássico devido à sua clareza. É uma afirmação de identidade, uma declaração de estilo. Diz: eis como a guitarra pode soar, eis como um trio pode dialogar, eis como o jazz pode ser moderno sem perder a sua essência musical. Tornou-se, para muitos, não apenas um álbum de estreia, mas uma referência.

Coloca a agulha no disco, deixa que a melodia inicial se espalhe pela sala e vais perceber porquê. O álbum não é barulhento, nem grandioso, nem impetuoso. É simplesmente luminoso. E, por vezes, é exatamente disso que precisas — um disco que comece o dia a lembrar-te de que a música, tal como a luz, pode ser simultaneamente suave e profunda.

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