Radiohead – OK Computer (1997)
Por Rafi Mercer
Há álbuns que surgem como avisos, codificados no som. O «OK Computer» dos Radiohead, lançado em 1997, é um desses álbuns. Mesmo agora, mais de vinte e cinco anos depois, as suas texturas e atmosferas parecem premonitórias — um mapa de ansiedades que só se aprofundaram. No entanto, apesar de todos os seus temas de alienação e inquietação tecnológica, continua a ser um dos álbuns mais gratificantes do ponto de vista sonoro da sua época, um álbum que recompensa não só o estudo, mas também a audição atenta.
Os Radiohead já tinham alcançado o sucesso com *The Bends*, um álbum de guitarras que provou que a sua ambição ia além da angústia da era grunge. Mas *OK Computer* foi algo completamente diferente. Expandiu o rock para uma paisagem sonora em ecrã panorâmico que fundia atmosfera, melodia e textura de formas sem precedentes. Produzido com Nigel Godrich, a banda construiu camadas sonoras que não eram confusão, mas sim arquitetura — guitarras tratadas como cor, ritmos esculpidos em textura, vozes que flutuavam tanto quanto se afirmavam. Este não era o rock como riff, mas sim o rock como ambiente.
A faixa de abertura, «Airbag», começa com a guitarra de Jonny Greenwood sampleada, repetida em loop e transformada em algo quase eletrónico. A bateria de Phil Selway surge com profundidade e vigor, o baixo de Colin Greenwood dá solidez ao ritmo, enquanto Thom Yorke canta com uma clareza distanciada que atravessa a névoa. Já desde o início, o álbum anuncia a sua intenção: não se trata de espetáculo, mas sim de imersão.
Segue-se «Paranoid Android», uma suíte disfarçada de single, que percorre estados de espírito que vão da ameaça à beleza, passando pela raiva e pela resignação. A sua estrutura assemelha-se mais a uma viagem do que a uma canção, com as guitarras a colidirem com harmonias corais e os sussurros a dissolverem-se em uivos. No vinil, as mudanças de textura são surpreendentes: os agudos cristalinos do falsete de Yorke, o peso estrondoso das guitarras, os delicados interlúdios em que o silêncio tem tanto peso quanto o som.
«Subterranean Homesick Alien» é um hino ao distanciamento, construído sobre guitarras rodopiantes e piano Rhodes, um ritmo que flui suavemente em vez de avançar com força. «Exit Music (For a Film)», escrita para o filme «Romeu + Julieta», de Baz Luhrmann, é uma devastação silenciosa, com a voz de Yorke a começar como uma confissão antes de explodir em distorção. «Let Down» sobrepõe camadas de guitarras tilintantes até formarem uma trama de melancolia, uma das produções mais requintadas da banda.
No centro do álbum está «Karma Police», ao mesmo tempo hino e canto fúnebre, cujo arranjo liderado pelo piano vai crescendo até um clímax de distorção antes de se dissolver numa calma inquietante. E depois há «No Surprises», canção de embalar e pesadelo ao mesmo tempo, cujo glockenspiel e voz suave disfarçam uma das letras mais sombrias da música popular. Poucos álbuns conseguem este equilíbrio entre beleza e pavor.
Em termos sonoros, o «OK Computer» é um triunfo da produção. A banda e Godrich fizeram uso deliberado do espaço, permitindo que os instrumentos ocupassem dimensões distintas. As guitarras não são simplesmente dedilhadas ou distorcidas; são processadas, sobrepostas e expandidas. As vozes são tratadas com reverberação e eco, o que as coloca simultaneamente próximas e distantes. A bateria é misturada com clareza, e o baixo é ao mesmo tempo firme e melódico. Num sistema de alta fidelidade, o álbum revela detalhes infinitos: um coro sussurrado, uma frase de guitarra ténue, a ressonância de uma sala. Num bar de audição, pode nem sempre ser a escolha natural — a sua intensidade pode sobrepor-se a um ambiente descontraído —, mas, no momento certo, transforma a sala num teatro.
O que faz com que o «OK Computer» perdure não é apenas o seu som, mas também a sua visão. Os temas da alienação, da vigilância, da desconexão e do mal-estar em relação à tecnologia parecem mais relevantes agora do que em 1997. No entanto, o álbum não é simplesmente profético; é humano. A voz de Yorke transmite vulnerabilidade, saudade e fragilidade que contrabalançam a frieza dos temas. O som pode ser expansivo, mas a emoção é íntima.
Para ouvir em casa, o álbum é uma revelação. A sua densidade recompensa as audições repetidas, revelando novos detalhes a cada vez. O seu fluxo é deliberado, com cada faixa a conduzir à seguinte, criando um arco que é simultaneamente narrativo e atmosférico. Não é música de fundo. É música de primeiro plano. Exige atenção, mas recompensa-a ricamente. Por vezes, a biblioteca da Tracks & Tales deve olhar não só para os bares e espaços comuns, mas também para os álbuns que transformam a solidão da audição em casa. O «OK Computer » é precisamente esse tipo de disco.
Quando a agulha se levanta, ficamos transformados. Não consolados, nem acalmados, mas sim mais perspicazes. Passamos a ouvir o mundo de forma diferente. E isso, em última análise, é a marca de um disco que exige uma escuta profunda. Não se limita a encher uma sala; remodela-a.
Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da rubrica «Tracks & Tales», subscreva ou clique aqui para ler mais.