Submotion Orchestra – Finest Hour (2011)

Submotion Orchestra – Finest Hour (2011)

Por Rafi Mercer

Alguns álbuns surgem já totalmente formados — não como álbuns de estreia, mas como declarações discretas de intenções. «Finest Hour», o primeiro álbum dos Submotion Orchestra, foi um desses momentos. Lançado em 2011, parecia um álbum de um grupo que já sabia quem era: um encontro entre a profundidade dos sistemas de som e a subtileza do jazz, entre a intimidade da madrugada e a ambição cinematográfica. Ainda soa a crepúsculo — o tipo de álbum que sabe o que significa o silêncio e usa o espaço como parte do seu ritmo.

O coletivo de Leeds surgiu do panorama do dubstep britânico, mas destacou-se dele. Enquanto outros procuravam os «drops», eles procuravam a dinâmica. O seu som era acústico, mas eletrónico; preciso, mas humano — um conjunto de sete elementos capaz de passar de uma pressão pesada nos graves a uma única batida de tarola com escovas num único fôlego. Ao ouvir num bom sistema, percebe-se não só as notas, mas também o ar à sua volta: o suave silvo da reverberação, o peso dos graves que surge como o tempo, e a voz de Ruby Wood, a flutuar por cima de tudo isto como algo elementar.

A faixa-título, «Finest Hour», define o tom — envolvente, contido, paciente. Não se trata de se exibir; trata-se de sentir o ambiente. Percebe-se uma linhagem que vai dos Massive Attack a Bonobo, passando pelos clubes de jazz do Northern Quarter, em Leeds, mas a execução é inteiramente própria. «All Yours» flui com um calor mais soul do que eletrónico, enquanto «Angel Eyes» deixa a voz de Ruby fundir-se com o ritmo, sem liderar nem seguir, apenas coexistindo.

E depois há os graves. O baixo não é mero adorno — é a arquitetura. É ele que define o espaço. Sente-se mais do que se ouve, como o pulsar do sangue nos pulsos. Os Submotion compreendem que o dub não tem a ver com volume; tem a ver com profundidade. O tipo de som em que nos podemos deixar envolver. Quando reproduzido num sistema bem afinado — num bar de audição ou mesmo através de um bom par de auscultadores —, «Finest Hour» revela as suas camadas: frases de piano a ecoar como memórias, um trompete abafado a chamar à distância, os subgraves a envolver tudo como nevoeiro.

A composição da banda tem um toque cinematográfico sem ser grandiosa. Há paciência em cada faixa, uma sensação de que nada precisa de ser apressado. «Secrets» flutua como fumo após a chuva; «Always» desenrola-se lentamente, acorde a acorde, até chegar a um ponto algures entre o desgosto e a calma. É um álbum que nos ensina a expirar.

Em muitos aspetos, «Finest Hour» captou um momento cultural — aquela ressaca pós-dubstep em que os músicos eletrónicos redescobriram a contenção e os músicos ao vivo abraçaram a tecnologia não como uma novidade, mas como uma nuance. O cenário foi Leeds, e não Londres — uma quietude do norte em contraste com a agitação da capital. É possível percebê-lo no ritmo: reflexivo, comedido, consciente do tempo como textura.

Mas, para além do género ou da geografia, «Finest Hour» é um álbum sobre ouvir em conjunto. Tem um carácter comunitário — dá para imaginá-lo a tocar suavemente num bar a altas horas da noite, com a luz das velas a cintilar no vidro, e a conversa a dar lugar ao silêncio à medida que a linha de baixo vai ganhando força. É um álbum que exige presença, não atenção.

Doze anos depois, continua a ter o seu peso. Poucos álbuns soam tão intemporais ou tão conscientes da sua própria atmosfera. Os Submotion Orchestra não se limitaram a fazer música downtempo; criaram uma arquitetura emocional — estruturas nas quais nos podemos entrar, respirar fundo e sair transformados.

Há álbuns que pretendem encher a sala. Este, simplesmente, transforma-a.


Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante.
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