The Analog Uluwatu — Um bar discreto para ouvir música, cultura do surf e discos de vinil em Bali

The Analog Uluwatu — Um bar discreto para ouvir música, cultura do surf e discos de vinil em Bali

Onde termina a loja de surf e começa a coleção de discos

Por Rafi Mercer

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Nome do local: O Analógico
Morada: Rua Labuansait, Pecatu, Kuta Selatan, Badung, Bali, Indonésia (segundo quarto em Canggu)
Site: theanalog.id
Instagram: https://www.instagram.com/theanalog.id

É possível passar por lá sem dar por isso. É essa a ideia. Na Jalan Labuansait, a estrada que leva toda a gente até Bingin e às ondas, o The Analog fica situado entre uma loja de surf e um estúdio de Pilates, sem nada na fachada que o destaque. A rua está animada com as scooters e a agitação de quem se dirige para a água, e a entrada limita-se a aguardar quem já sabe onde está.

No interior, a inspiração vem do Japão. O espaço segue o modelo de um bar de audição no verdadeiro sentido da palavra — vinil a revestir as paredes, painéis de madeira escolhidos pela sua capacidade de absorção sonora, assentos de veludo, colunas vintage, bancos de bar ao longo do balcão e sofás espalhados por todo o lado. O café domina o dia. À noite, os cocktails assumem o protagonismo, com uma grelha a lenha a funcionar nas traseiras e um happy hour que começa às cinco e termina às oito. Nas traseiras, há um jardim concebido segundo a lógica de um jardim japonês de pedras e suavizado com toques balineses — incenso, oferendas hindus, mesas antigas de madeira, velas e luzes decorativas assim que escurece. Uma resposta discreta e tranquila à rua em frente.

A maioria dos espaços inspirados em Tóquio opta pelo jazz. O Analog opta pela era do surf — rock com raízes nos anos 60 e 70, quando o surf era um estilo de vida e não um desporto, estendendo-se depois pelo folk, grunge, funk e punk, reproduzido em vinil e em formato digital. Os proprietários expuseram claramente o seu raciocínio: estamos a afogar-nos em música criada para vender, e os algoritmos decidem cada vez mais o que ouvimos. A sua sala existe para devolver a escolha à pessoa que tem um disco nas mãos. É um espaço social, não um espaço silencioso — aqui, a conversa faz parte do ambiente —, mas a música lidera e tudo o resto se organiza em torno dela.

Há também uma vertente de retalho, fiel ao endereço: bar, café e loja de surf, tudo sob uma única identidade, em vez de três conceitos que partilham o mesmo contrato de arrendamento. E o conceito já se expandiu — existe agora um segundo espaço em Canggu, mais a norte ao longo da costa, onde o movimento é maior, o que sugere que a ideia tem sucesso para além do seu recanto escondido.

Uluwatu é sinónimo de falésias, templos e ondulação. Nunca foi um local óbvio para a cultura da audição. O livro «The Analog» defende que sempre o foi — que a paciência que o surf exige e a paciência que um disco exige são a mesma paciência, apenas com roupagem diferente.

Se passares por esta sala, fica aqui um bocadinho e diz-me o que ouviste.

Para ver mais espaços como este, os ensaios diários continuam ao longo da semana; o arquivo completo do espaço está disponível aqui e, se quiser receber tudo isto, junte-se a nós.


Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante.
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