William Basinski – The Disintegration Loops (2002)

William Basinski – The Disintegration Loops (2002)

Por Rafi Mercer

À primeira vista, parece nada mais do que um frágil loop de fita, uma curta frase de metais que se repete com uma calma inevitável. Mas, à medida que os minutos passam, o som começa a mudar. A fita deteriora-se à medida que é reproduzida, com fragmentos a desprendem-se, distorções a surgirem gradualmente e o próprio loop a desintegrar-se diante dos nossos ouvidos. Esta é a essência de *The Disintegration Loops*, de William Basinski, gravado em 2001, quando tentou digitalizar gravações antigas em fita e descobriu que o próprio ato de as reproduzir estava a causar a sua deterioração. Deixou as fitas a tocar, gravou o seu colapso e, ao fazê-lo, captou uma das experiências auditivas mais profundas do século XXI.

Lançado em 2002 em vários volumes, o projeto tornou-se lendário não só pelo seu som, mas também pelo momento em que surgiu. Basinski vivia em Brooklyn e concluiu as primeiras gravações no final do verão de 2001. A 11 de setembro, enquanto o World Trade Center desmoronava, reproduziu os loops no telhado da sua casa e filmou o fumo a subir sobre o horizonte. A música ficou indissociável daquele momento de destruição e luto, com o seu lento colapso a ecoar a fragilidade da vida e a sua beleza entrelaçada com a dor. No entanto, mesmo sem essa associação, a obra continua a ser extraordinária. É o minimalismo na sua forma mais elementar: um único loop a repetir-se, a deteriorar-se lentamente, revelando o tempo como um processo.

Ouvir os loops é uma experiência estranhamente comovente. A princípio, a repetição parece estática, quase hipnótica. Mas à medida que a fita se vai deteriorando, o ouvido começa a perceber cada mudança — uma nota que falta, uma queda no volume, uma súbita explosão de distorção. As mudanças são pequenas, mas o seu acúmulo é devastador. A música não evolui no sentido convencional; dissolve-se, lembrando-nos que o som, tal como a vida, é impermanente. No entanto, nessa impermanência reside a beleza. O loop pode estar a desmoronar-se, mas, no seu colapso, cria texturas, ressonâncias e emoções que nunca poderiam ter existido de outra forma.

No vinil, os loops assumem uma intimidade quase insuportável. O ruído de superfície do disco funde-se com o chiado das fitas, e o calor do analógico aprofunda a sensação de fragilidade. Quando reproduzido num bar de audição, o efeito é transformador. Uma sala que antes fervilhava de conversas silencia à medida que o loop se repete, repete, repete. O tempo parece abrandar, depois alongar-se e, por fim, dissolver-se. É uma música que silencia sem imposição, que leva as pessoas à reflexão, que cria uma quietude coletiva.

O que torna «The Disintegration Loops» tão duradouro não é apenas o seu conceito, mas também o seu peso emocional. É uma obra-prima acidental, nascida não do planeamento, mas da decadência, e, no entanto, fala de forma mais eloquente do que a maioria das obras deliberadas. Lembra-nos que ouvir não se resume apenas ao som, mas também ao tempo, à mudança e à perda. É música que personifica a mortalidade e, ao fazê-lo, torna-se uma forma de consolo. Os loops não resistem à decadência; abraçam-na, transformando-a em arte.

Duas décadas depois, a obra continua a ter repercussão. Tem sido interpretada por orquestras, exibida em galerias e amplamente comentada, mas o seu poder continua a ser pessoal. Ouvir esta obra é confrontar-se com a impermanência, conviver com a fragilidade, encontrar beleza naquilo que está a desaparecer. No contexto de um bar de audição, torna-se mais do que música; torna-se um ritual de presença, uma lembrança de que o silêncio e o som são inseparáveis, de que a própria audição é um ato de atenção ao que não perdurará.

Desde então, Basinski lançou inúmeros trabalhos, explorando paisagens ambientais e de drone com subtileza e profundidade, mas *The Disintegration Loops* continua a ser a sua obra mais marcante. É uma daquelas gravações raras que mais do que uma obra de arte parece um documento da existência. Basta colocar a agulha no disco para ouvir não só o som, mas o próprio tempo, que se desgasta e perdura ao mesmo tempo.

Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais histórias da rubrica «Tracks & Tales», subscreva aqui, ou clique aqui para ler mais.

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