Altec Lansing — A voz do teatro, a voz do bar
Por Rafi Mercer
Há colunas que reproduzem música e há colunas que a interpretam. Os sistemas «Voice of the Theatre» da Altec Lansing pertencem a esta última categoria. Caixas imponentes, com cornetas, de um estilo industrial assumido, foram concebidas na década de 1940 para projetar o som em vastas salas de cinema. No entanto, décadas mais tarde, muitas delas acabaram por chegar a espaços mais pequenos e escuros: os «kissaten» de jazz do Japão e, mais tarde, os bares de audição da Europa e da América. Sentar-se diante de um Altec num ambiente destes é sentir a história condensada no presente — som à escala de cinema remodelado para a intimidade de uma bebida e de um disco.
A origem é cinematográfica. Em 1945, a MGM contactou a Altec Lansing com um problema: o público exigia maior fidelidade sonora nas salas de cinema, e os altifalantes existentes não conseguiam acompanhar essa exigência. Os engenheiros responderam com o sistema A4 — um enorme altifalante em forma de corneta, capaz de transmitir diálogos e música com clareza até às filas mais distantes. Em pouco tempo, a gama «Voice of the Theatre» tornou-se equipamento padrão nos cinemas de toda a América. Grandes, imponentes e eficientes, transformaram as cabines de projeção em centros de comando sonoro.
Mas a história não ficou limitada ao cinema. Nas décadas de 1960 e 1970, os audiófilos japoneses começaram a importar sistemas de cinema Altec em desuso, instalando-os em cafés e bares dedicados à audição atenta. Em espaços pouco maiores do que uma sala de estar, as colunas A7 e A5 enchiam o ar com um som que, mais do que ser reproduzido, era encarnado. As cornetas ressoavam, os altifalantes de graves retumbavam e a música chegava com a autoridade de uma atuação em palco. Para os clientes que saboreavam uísque num bar de Shinjuku, o efeito era inebriante — uma espécie de presença ao vivo que nenhuma coluna doméstica conseguia igualar.
Lembro-me de um desses bares em Tóquio, onde um par de A7 dominava a sala, com as suas caixas acinzentadas desgastadas por décadas de serviço. Um disco de Thelonious Monk tocava, e os acordes de piano não soavam como mero adorno, mas sim como uma arquitetura, cada nota a encher a sala como se tivesse sido incorporada nas paredes. As colunas de agudos transmitiam com facilidade o som metálico dos pratos, enquanto as colunas de graves conferiam ao contrabaixo um peso quase físico. Ninguém falava em voz alta; não havia necessidade. As próprias colunas preenchiam cada silêncio.
Em comparação com a precisão dos monitores da JBL ou com o equilíbrio refinado da Tannoy, os Altecs são mais crus, mais teatrais. Não lisonjeiam; projetam. Num bar de audição, essa qualidade torna-se a sua própria atmosfera. A música não se instala educadamente em segundo plano; domina, reivindicando o espaço como seu. Para muitos, esse domínio é precisamente o objetivo: sentir a potência da música gravada como se fosse uma atuação ao vivo, ser envolvido em vez de meramente entretido.
Visualmente, é impossível ignorar as Altecs. O seu tamanho imponente, a sua pintura industrial, as suas cornetas expostas — são «mobiliário» apenas no sentido em que a maquinaria industrial pode ser considerada como tal. Num bar, tornam-se frequentemente parte da identidade do espaço, tão icónicas como as garrafas de uísque ou a madeira do balcão. Não são subtis, mas, por outro lado, o seu som também não o é.
Embora a Altec Lansing, enquanto empresa, tenha sofrido mudanças e se tenha fragmentado ao longo dos anos, os sistemas «Voice of the Theatre» continuam a ser objetos de culto, restaurados e venerados por colecionadores e proprietários de salas de espetáculos. O seu legado nos bares com sistema de audição é a prova de que a tecnologia concebida para grandes espaços pode criar intimidade em espaços mais pequenos — não ao tornar-se mais silenciosa, mas ao levar a sua presença a todos os recantos.
No fim de contas, as Altecs lembram-nos que ouvir nem sempre tem a ver com requinte. Às vezes, tem a ver com render-se ao poder, ao teatro, à imediatez do som que nos atinge diretamente. São a voz do teatro — e, no bar certo, a voz da noite.
Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da rubrica «Tracks & Tales», subscreva ou clique aqui para ler mais.