Condesa Electronics — Feito à mão na Austrália, concebido para o fluxo
Por Rafi Mercer
O misturador rotativo renasceu em muitos locais — restaurado em Nova Iorque, aperfeiçoado em Paris, reinventado em Londres. Mas poucos teriam previsto o seu renascimento em Adelaide, na Austrália. Foi aí que a Condesa Electronics teve início, uma pequena oficina que fabrica misturadores rotativos artesanais que, desde então, têm viajado pelo mundo, chegando a discotecas, estúdios e, cada vez mais, a bares de audição. O seu encanto reside no equilíbrio: suficientemente robustos para os DJ, suficientemente musicais para os entusiastas do hi-fi e sempre ajustados para o fluxo.
A Condesa foi fundada por Mehdi El-Aquilin no início da década de 2010, fruto da sua infância no Reino Unido, da cultura de DJ profundamente enraizada e de um desejo por equipamento rotativo de alta qualidade, numa altura em que os Bozaks e UREIs vintage eram escassos e frágeis. Mehdi e a sua equipa abordaram a tarefa com uma mistura de pragmatismo e criatividade: circuitos analógicos discretos para conferir calor ao som, construção robusta para garantir fiabilidade e controlos rotativos que fossem tão suaves ao toque quanto ao som. Cada mesa de mistura era fabricada por encomenda, muitas vezes personalizada, e cada uma delas apresentava o traço de uma oficina, em vez de uma fábrica.
O resultado foi uma família de mesas de mistura — Lucia, Clara, Allegra, Amelia —, cada uma com um nome que, de forma adequada, reflete a sua personalidade. Compactas, portáteis, mas com um som envolvente, tornaram-se companheiras de confiança para DJs que valorizavam a sensação tátil e para bares que procuravam continuidade sem comprometer a qualidade.
Lembro-me de uma noite em Melbourne em que um Condesa Clara estava em cima do balcão do bar, com os seus painéis laterais de madeira a brilhar sob uma luz quente. O DJ passou suavemente de «Shades of Jae», de Moodymann, para «Falling Up», de Theo Parrish. A transição foi suave, com curvas de equalização amplas e naturais; o som era quente, sem perder nitidez. Os clientes balançavam-se, não abalados pelas mudanças de faixa, mas levados pela continuidade. O DJ não era a estrela, mas sim o meio — a roda que mantinha a noite a girar.
Em comparação com o estilo chique parisiense da E&S ou a potência nova-iorquina da UREI, a Condesa transmite uma sensação mais artesanal, mais acessível. Há algo na sua natureza artesanal que se adequa à intimidade dos bares de audição. Não exige ser venerado; pede simplesmente para ser utilizado, para fazer parte do ritmo da noite. Essa humildade, combinada com o seu calor sonoro, tornou-o num dos favoritos em locais onde o equipamento é escolhido não pelo espetáculo, mas pela fiabilidade e pela sensação que transmite.
Visualmente, os misturadores Condesa têm um encanto próprio: painéis escovados, botões rotativos e laterais em madeira que lhes conferem um ar familiar, semelhante ao de um móvel. Num bar, parecem estar no seu elemento — não têm um aspeto industrial nem austero, mas sim artesanal, como se tivessem sido concebidos para se integrarem no espaço, em vez de o dominarem.
Cada unidade continua a vir de Adelaide, continua a ser construída à mão e continua a revelar aquele toque artesanal. Num mundo de controladores produzidos em massa e dominado pelo digital, essa continuidade da construção artesanal parece rara, quase radical. Os bares que optam pela Condesa não estão apenas a escolher um misturador, mas sim uma filosofia — a de que a música deve ser guiada pelo toque, pelo calor e pelo fluxo.
Em última análise, a Condesa Electronics representa a voz australiana na tradição global dos gira-discos. Feitos à mão, musicais e com um toque humano, os seus gira-discos provam que a fidelidade pode ser alcançada em qualquer lugar, desde que a filosofia seja sólida. Nos bares onde se ouve música, tornam-se parte do ritual, moldando discretamente as noites com continuidade e cuidado.
Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da secção «Tracks & Tales», subscreva ou clique aqui para saber mais.