EMT — Broadcast Grey, Autoridade alemã

EMT — Broadcast Grey, Autoridade alemã

Por Rafi Mercer

Algumas máquinas transmitem glamour. Outras, disciplina. Os gira-discos e as cápsulas da EMT enquadram-se claramente neste último grupo — cinzentos, industriais e sem sentimentalismos. Nascidos na Alemanha do pós-guerra, nunca foram concebidos para salas de estar ou para o prazer privado. Eram ferramentas das emissoras estatais, concebidas para funcionar o dia inteiro, todos os dias, com uma precisão que não deixava nada ao acaso. No entanto, nos bares de audição, onde a autoridade e a presença são tão importantes quanto o ambiente acolhedor, a EMT tornou-se um símbolo de controlo — a certeza alemã traduzida em som.

A história começa em 1940, quando Wilhelm Franz fundou a Elektromesstechnik em Berlim. No final da década de 1950, a EMT tinha-se tornado a espinha dorsal dos estúdios de radiodifusão europeus, com gira-discos como o 927 e, mais tarde, o 930 a ocuparem um lugar de destaque nas salas de controlo. Eram gira-discos de transcrição sem complicações: pratos enormes, acionamento direto muito antes de se tornar moda, binário para fixar a velocidade instantaneamente e chassis tão sólidos que aguentavam décadas de serviço. Colocar um disco num EMT era confiar que este manteria o tom como um metrónomo, independentemente da hora ou do programa.

Depois vieram as cápsulas. A TSD 15, lançada no final da década de 1960, encarnava a mesma filosofia: bobina móvel, integrada num cabeçote, suficientemente robusta para braços de radiodifusão, mas suficientemente refinada para captar o som com fidelidade. Numa época em que muitas cápsulas eram delicadas, a EMT alcançou um equilíbrio entre durabilidade e musicalidade. Não procurava a doçura de uma Ortofon SPU nem a intimidade de uma Denon 103; procurava a verdade. Nivelada, estável, sem coloração — o sonho de qualquer locutor.

É essa característica que torna o EMT uma presença tão fascinante nos bares de audição de hoje. Enquanto um Garrard insiste, um Thorens acaricia e um Technics impulsiona, um EMT afirma-se. Enche a sala com uma autoridade quase institucional. Lembro-me de uma noite num café de Berlim, onde um EMT 930 tocava uma prensagem original de *A Love Supreme*. O saxofone não seduzia; comandava. Os ouvintes inclinavam-se para a frente, as conversas abrandavam, como se o próprio Coltrane tivesse entrado no centro da sala. Esse é o efeito EMT: faz com que o disco pareça definitivo.

A estética conta a mesma história. Os EMTs não são bonitos. O seu acabamento cinzento-metálico, as placas de grandes dimensões e os botões funcionais assemelham-se mais a equipamento de laboratório do que a artigos de luxo. Mas, à luz fraca de um bar, essa austeridade transforma-se numa espécie de presença — como se a própria máquina nos estivesse a lembrar que ouvir é algo sério, não casual. Há uma honestidade nisso.

Mesmo agora, décadas após o seu apogeu, os EMT continuam a ser utilizados. Unidades restauradas circulam entre revendedores especializados; os bares na Europa e no Japão mantêm-nos vivos, muitas vezes acompanhados por altifalantes de corneta capazes de suportar a sua potência. A marca também renasceu, oferecendo cápsulas modernas que carregam o mesmo ADN. Mas a lenda reside nesses gira-discos vintage e nas cápsulas TSD, que ainda zumbem com autoridade após meio século.

Numa cultura auditiva em que tanto se baseia no romantismo — o ritual do vinil, o brilho das válvulas, a nostalgia dos selos antigos —, o EMT destaca-se. Não aposta no romantismo. Aposta na certeza. E, por vezes, num bar concebido para a concentração, a certeza é o estado de espírito mais poderoso de todos.

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