Laboratório GIP — O renascimento das bobinas de campo na tradição japonesa

Laboratório GIP — O renascimento das bobinas de campo na tradição japonesa

Por Rafi Mercer

Há sons que parecem esculpidos em madeira, pesados e permanentes. E depois há sons que parecem iluminados por dentro, cheios de vida e energia. Os altifalantes de bobina de campo pertencem a esta última categoria. Antes de os ímanes permanentes se tornarem a norma, os transdutores eram alimentados por eletroímãs — bobinas energizadas por corrente contínua, com um som mais nítido, mais imediato, mais presente. A maioria das empresas abandonou esta técnica após a década de 1940. Mas no Japão, uma cultura que venera os ramos perdidos da fidelidade sonora, o GIP Laboratory optou por trazê-la de volta. Nos bares de audição, os seus sistemas constituem raras lembranças de que a própria eletricidade pode ser um ingrediente da beleza.

Fundada em 2006 por Kazuo Kiuchi na prefeitura de Hyogo, a GIP propôs-se não a imitar, mas sim a ressuscitar. Inspirada nos lendários drivers de compressão 555 e nas cornetas 15A da Western Electric, a GIP começou a produzir recriações modernas — drivers, cornetas, amplificadores — construídas com a mesma dedicação à tecnologia de bobina de campo. Cada unidade é montada à mão, muitas vezes em quantidades limitadas, sendo a sua produção mais semelhante à arte da luteria do que à produção em massa. Ouvir um destes aparelhos é ouvir a história reviver, não como nostalgia, mas como uma prática viva.

Lembro-me de um bar escuro em Quioto, onde um par de altifalantes GIP com bobinas de campo estava instalado em cornetas exponenciais de madeira, brilhando vagamente sob a luz fraca. Um disco de Chet Baker rodava — *Chet Baker Sings*. A voz surgiu com uma intimidade que surpreendeu. Não era apenas detalhada; era palpável, como se a própria eletricidade estivesse a trazer a respiração para a sala. Os clientes estavam sentados quase reverentemente, com a música a envolver tudo num silêncio, cada palavra realçada por aquela energia peculiar das bobinas de campo.

É difícil descrever essa energia. Em comparação com os drivers de íman permanente, as bobinas de campo parecem mais rápidas, mais dinâmicas, mais vivas. As notas não se limitam a soar; chegam com determinação. Nos bares de audição, essa qualidade pode transformar uma noite comum numa cerimónia. O disco deixa de ser apenas uma reprodução para se tornar uma revelação, como se o próprio ar estivesse carregado de energia.

Visualmente, os sistemas GIP evocam os seus antecessores da Western Electric: grandes cornetas de madeira, estruturas metálicas pintadas de cinzento, altifalantes que parecem artefactos industriais de outra época. Nos bares, têm um peso não só como fontes de som, mas também como objetos de veneração. Os clientes podem não saber a diferença entre bobinas de campo e ímanes de ferrite, mas sentem a diferença na atmosfera. Não são apenas altifalantes; são presenças.

Em comparação com a grandiosidade da Rey Audio ou com o requinte artesanal da Living Voice, a GIP tem um carácter mais monástico. É a fidelidade como devoção, um regresso a um ofício quase perdido. Os bares que optam por estes produtos estão a enviar uma mensagem: que ouvir música não tem a ver com conveniência, nem sequer com moda, mas sim com dar continuidade a um fio da história que, de outra forma, poderia ter-se rompido.

Atualmente, a GIP Laboratory continua a aperfeiçoar a sua gama, oferecendo sistemas que vão desde réplicas quase idênticas do equipamento de teatro da década de 1930 até instalações personalizadas para salas específicas. Cada uma delas é uma lembrança de que a fidelidade nunca foi um caminho único, mas sim uma árvore com ramificações — e que alguns ramos, quando reavivados, florescem com uma beleza inesperada.

No fim de contas, a GIP representa mais do que meros altifalantes. Representa a fidelidade como renascimento, como continuidade. Num bar de audição, onde o silêncio, o ritual e a presença são importantes, esse renascimento transforma-se em atmosfera. E quando o disco termina, o brilho das bobinas de campo parece persistir, como se a própria corrente estivesse relutante em desvanecer-se.

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