Kondo Audio Note (Japão) — Prata, silêncio e o culto à pureza

Kondo Audio Note (Japão) — Prata, silêncio e o culto à pureza

Por Rafi Mercer

Alguns equipamentos parecem obras de engenharia. Outros parecem obras de artesanato. E uns poucos, muito raros, parecem obras de devoção. A Kondo Audio Note, fundada em Tóquio por Hiroyasu Kondo em 1979, pertence a esta última categoria. Os seus amplificadores não são simplesmente construídos; são consagrados. Enrolados com prata pura, soldados à mão, concebidos com uma reverência tanto pelo silêncio como pelo som, representam uma abordagem à alta fidelidade em que cada nota é tratada como sagrada. Nos bares de audição, onde a música tem como objetivo parar o tempo, a Kondo torna-se menos um equipamento e mais um altar.

Hiroyasu Kondo, frequentemente referido como o «Ourives do Áudio», foi um revolucionário inesperado. Físico de formação, acreditava que o cobre, o condutor padrão no mundo do áudio, distorcia e alterava o sinal. A prata, embora dispendiosa e difícil de trabalhar, transmitia a música com uma transparência que parecia mais natural, mais viva. Dessa convicção surgiu uma filosofia: construir amplificadores não para fins de medição, mas em prol da verdade musical, independentemente do custo ou da escala.

Os resultados são lendários. O amplificador Ongaku da Kondo, lançado em 1989, é talvez o modelo de triodo single-ended mais aclamado de sempre. Imenso, minimalista e incrivelmente caro, tem sido descrito menos como um amplificador e mais como um instrumento musical. Quando combinado com colunas de alta eficiência, proporciona um som luminoso, rico em timbre, mas nunca pesado. Num bar de audição, essa luminosidade é transformadora. Uma balada de Coltrane não se limita a tocar; brilha, com cada nota a flutuar como luz através do pó.

A estética é discreta, mas inconfundível: caixas em prata escovada, válvulas brilhantes, sem decoração excessiva. Encontrar um destes aparelhos atrás do balcão é sentir que o proprietário fez uma declaração — não se trata apenas de passar discos, trata-se de tratar a música como uma cerimónia. Os clientes podem não conhecer a marca, mas sentem a sua aura. Mesmo em silêncio, um amplificador Kondo irradia determinação.

Lembro-me de uma noite num bar de Quioto, onde um Kondo Gakuon tocava com um par de altifalantes Goto Unit. O disco era *A Love Supreme*. Quando a linha de baixo inicial começou, a sala pareceu inclinar-se para outra dimensão. O som não era alto, nem agressivo, mas incrivelmente presente, como se o quarteto de Coltrane tivesse sido conjurado para aquele espaço. As pessoas estavam sentadas de olhos fechados, com os copos intocados, suspensas naquele momento. Esse é o efeito Kondo: não se limita a reproduzir música, invoca-a.

Em comparação com a ousadia da McIntosh, a contenção da Accuphase ou o calor da Audio Research, a Kondo representa algo mais refinado — a pureza. Não é para qualquer bar, nem para qualquer ouvinte. Exige parceiros compatíveis, colunas de alta eficiência e uma sala disposta a abrandar o ritmo. Mas, onde quer que seja encontrada, define a atmosfera de forma absoluta.

Kondo faleceu em 2006, mas a sua filosofia perdura nas mãos de Masaki Ashizawa e na pequena oficina de Tóquio que ainda fabrica cada peça à mão. Num mundo de produção em massa, essa continuidade parece quase milagrosa. Os amplificadores são tão raros quanto venerados, encontrando-se apenas num punhado de locais dispostos a tratar a audição como um ritual.

No fim de contas, a Kondo Audio Note não tem nada a ver com hi-fi. Tem a ver com devoção — à prata, ao silêncio, à convicção de que a música merece reverência. E à luz fraca de um bar de audição, essa devoção torna-se contagiante. A noite esmorece, o som brilha e, por um momento, nada mais importa.

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