Luxman — Válvulas, transístores e o brilho da continuidade

Luxman — Válvulas, transístores e o brilho da continuidade

Por Rafi Mercer

Algumas marcas surgem e desaparecem ao ritmo das tendências da moda. Outras seguem o seu caminho como rios, adaptando o seu curso, mas mantendo-se sempre reconhecíveis. A Luxman pertence firmemente a esta última categoria. Fundada em Osaka em 1925, é uma das marcas mais antigas do setor do áudio japonês, uma empresa que passou pelo período da goma-laca, do vinil, da fita, do CD e do streaming, voltando sempre à mesma questão central: como deve a música soar quando preenche uma sala? Nos bares de audição, a resposta que a Luxman oferece é o calor — não aquele tipo enjoativo, mas um brilho que torna as noites suaves, convidativas e duradouras.

A Luxman nunca foi fácil de classificar. Ganhou fama na era das válvulas, com amplificadores que apresentavam uma delicadeza apreciada tanto pelos entusiastas do jazz como pelos adeptos da música clássica. Depois, surgiu a revolução dos transístores, e a Luxman revelou-se igualmente competente, criando modelos de estado sólido que conseguiram manter uma sensação de timbre sem cair na esterilidade. Poucas empresas conseguiram equilibrar ambas as correntes de forma tão natural. Talvez seja por isso que os seus amplificadores continuam a ser uma presença incontornável em bares onde a variedade é importante — um disco do Miles Davis numa hora, uma reedição dos Sly & The Family Stone na seguinte.

Visualmente, os amplificadores Luxman contam a sua própria história. Frentes em alumínio escovado, retroiluminação acolhedora, indicadores que se movem num ritmo suave — parecem mais instrumentos do que aparelhos. Coloque um atrás do balcão de um bar de audição e ele torna-se parte do espetáculo: um pulso silencioso na penumbra, lembrando-nos que a fidelidade não é apenas um feito técnico, mas sim uma atmosfera.

Lembro-me de uma noite num kissa de Shinjuku, onde um par de monoblocos de válvulas da Luxman alimentava colunas de corneta da Altec. O som era envolvente, sem ser ostensivo — o tipo de apresentação que nos atrai para dentro da sala, em vez de nos manter pregados ao assento. O álbum «Ballads», de John Coltrane, flutuava com tal intimidade que até o tilintar do gelo nos copos parecia mover-se ao ritmo da música. Esse é o dom da Luxman: não oprime, envolve.

Ao contrário da arrogância da McIntosh ou da contenção da Accuphase, a Luxman situa-se num meio-termo. Possui calor sem excessos, potência sem ostentação. Transmite uma sensação de familiaridade, de humanidade. Nos bares de audição, essa qualidade torna-se inestimável. As noites prolongam-se, as pessoas demoram-se e a música precisa de se manter cativante sem nunca se tornar cansativa. A Luxman torna isso possível.

A continuidade da empresa também é importante. Ao longo das mudanças de propriedade e das evoluções da cultura japonesa do hi-fi, a Luxman manteve a sua identidade. Os modelos modernos — amplificadores integrados, pré-amplificadores, estágios de phono — perpetuam o mesmo equilíbrio entre rigor técnico e calor emocional que caracterizou os seus clássicos. Num mundo em que muitas marcas foram diluídas ou rebatizadas, a Luxman continua a parecer enraizada nas suas origens.

Ouvir música através da Luxman é lembrar-nos de que a fidelidade pode ser terna. Que a precisão não tem de ser fria. Que o brilho de uma válvula e a estabilidade de um transístor podem coexistir, reproduzindo Billie Holiday com a mesma graciosidade com que reproduzem os Kraftwerk.

Para os bares de audição, onde o objetivo não é apenas passar discos, mas criar um ambiente ao qual as pessoas queiram voltar, esse equilíbrio é fundamental. A Luxman tem vindo a proporcionar isso há quase um século e não dá sinais de que vá parar.

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