McIntosh — Os medidores azuis e o sonho americano do poder

McIntosh — Os medidores azuis e o sonho americano do poder

Por Rafi Mercer

Há um brilho que se consegue avistar do outro lado da sala, antes mesmo de se ouvir uma única nota. Dois mostradores quadrados, iluminados em azul elétrico, com os ponteiros a oscilar como o próprio pulso da música. Os amplificadores McIntosh não se escondem no suporte — eles dão nas vistas. São o som da ambição americana traduzida em alta fidelidade, máquinas construídas não apenas para reproduzir música, mas para personificar a permanência. Nos bares de audição, onde a apresentação faz parte do ritual, a McIntosh é simultaneamente mobiliário e filosofia.

Fundada em 1949 em Binghamton, Nova Iorque, a McIntosh consolidou a sua reputação na era dourada do hi-fi. Os amplificadores da empresa, revestidos de vidro e cromo, eram tão reconhecíveis como as jukeboxes ou os Cadillacs — uma estética americana caracterizada pelo tamanho, pelo brilho e pela autoridade. Mas não se tratava apenas de estilo. Os circuitos da McIntosh foram concebidos para garantir estabilidade, proporcionando alta potência com distorção mínima. Quando os Grateful Dead criaram a sua «Wall of Sound» em 1974, foram as filas de amplificadores McIntosh que lhe deram força. Quando Woodstock precisou de encher uma encosta com música, a McIntosh assumiu a tarefa mais pesada.

Essa herança é importante num bar. Ver aqueles medidores azuis a brilhar por trás de um balcão em Nova Iorque ou Tóquio é sentir uma ligação direta aos dias em que a própria amplificação parecia algo heróico. Um McIntosh não se limita a reproduzir música; ele emoldura-a com confiança. Os graves têm autoridade, os agudos têm brilho, os médios destacam-se. Não é o calor suave de um amplificador de válvulas, nem a precisão fria de uma cadeia de monitores de estúdio. É algo entre os dois — uma solidez que tranquiliza, como o peso do carvalho debaixo do braço num bar antigo.

A McIntosh sempre se caracterizou pela potência. Os seus gigantes de estado sólido fornecem centenas de watts a qualquer tipo de coluna, com transformadores que lhes conferem uma sensação de indestrutibilidade. Mas há também nuances: os seus amplificadores de válvulas, como o MC275, mantêm um romantismo cativante, muito apreciado em salas de jazz e espaços de audição onde a intimidade é mais importante do que o espetáculo. Essa dualidade — força bruta e subtileza cativante — é o que torna a marca tão adaptável aos bares de audição.

Lembro-me de uma noite num salão de Manhattan, onde um par de colunas Bowers & Wilkins 802 era amplificado por monoblocos McIntosh. Os medidores azuis dançavam suavemente enquanto o álbum «Places and Spaces», de Donald Byrd, enchia a sala. O som não era discreto. Era rico, confiante, expansivo — tal como a própria cidade. As pessoas não precisavam de se inclinar para a frente; a música chegava a todos os cantos com facilidade, sem esforço. Era hi-fi como hospitalidade, música servida generosamente.

A estética também contribui. Num bar de audição, o equipamento nunca passa despercebido. Os painéis frontais em vidro, os acabamentos cromados, os logótipos luminosos — tudo isto confere à McIntosh a presença de uma escultura. Ao contrário dos designs minimalistas europeus que se perdem nas prateleiras, os amplificadores McIntosh fazem parte do cenário, fazem parte daquilo que dá ao espaço um ar de curadoria. Os clientes saboreiam o uísque não só na companhia da música, mas também na companhia daqueles botões iluminados a azul, acompanhando o ritmo da noite.

Para alguns, a McIntosh representa o excesso — demasiado pesada, demasiado brilhante, demasiado americana. Mas na cultura da audição, o excesso pode fazer parte da experiência. Isso lembra-nos que a fidelidade nem sempre tem a ver com moderação. Por vezes, trata-se de proporcionar à música um palco suficientemente grande para encher a sala sem qualquer complexo.

Setenta e cinco anos depois, a McIntosh continua a fabricar em Binghamton, continuando a polir vidro e a iluminar os medidores a azul. Num mundo de aparelhos efémeros e caixas de plástico, essa continuidade é, por si só, uma garantia. Ouvir um disco num aparelho McIntosh é acreditar, por um momento, na permanência — em máquinas feitas para nos sobreviverem, num som concebido para perdurar.

À luz desses medidores, um bar de música torna-se mais do que um local para beber e ouvir discos. Torna-se um palco onde o poder, a história e a música convergem. Luz azul, bordas cromadas e o som do sonho americano, ainda vivo em cada nota.

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