O luxo de ouvir — Sobre o estatuto, o silêncio e a ideia de uma coluna Rafi Mercer

O luxo de ouvir — Sobre o estatuto, o silêncio e a ideia de uma coluna Rafi Mercer

Uma reflexão sobre o luxo moderno, a teoria do estatuto de Veblen e a forma como um par de futuras colunas Rafi Mercer poderá encarnar um novo tipo de prestígio: o poder de possuir o luxo de ouvir.

Por Rafi Mercer

Existe um tipo de luxo que não brilha. Não se impõe. Não se reveste de excessos. Fica discretamente num canto da sala — e, no entanto, diz-lhe tudo o que precisa de saber sobre a pessoa a quem pertence.

Passei a manhã toda a pensar nesse tipo de luxo. A ideia de Veblen — de que alguns objetos existem para sinalizar o estatuto social — é verdadeira, sim, mas incompleta. O sinal moderno já não é ostensivo. A forma mais poderosa de estatuto social hoje em dia é aquela que se expressa na contenção. No discernimento. Na capacidade de optar pela quietude num mundo viciado no ruído.

Ter o luxo de ouvir é a nova fronteira do desejo.
Não é um relógio. Não é um carro. Não é um logótipo do tamanho de um painel publicitário.
Mas sim a rara capacidade de controlar o teu ambiente sonoro — de moldar o mundo através da forma como o ouves.

Para mim, é aí que nasce a ideia de Rafi Mercer. Se alguma vez construísse um par de colunas, estas situar-se-iam na intersecção entre o prestígio e o silêncio. Transmitiriam algo mais profundo do que a riqueza: transmitiriam bom gosto, consciência, realização. Uma espécie de vida interior cultivada. Uma competência discreta.

As pessoas comprá-los-iam não só porque tinham meios para o fazer, mas porque queriam transmitir algo mais genuíno:

«Vivo num mundo concebido em torno da escuta — e esse é o meu luxo.»

A marca Rafi Mercer não se basearia na ostentação. Basear-se-ia num novo tipo de prestígio — o prestígio da atenção. O domínio do seu ambiente. A prova de que construiu uma vida suficientemente ampla para ouvir aquilo que a maioria das pessoas não consegue perceber.

Um par de colunas como esse teria de incorporar cinco conceitos:

1. Seriam artigos de luxo sem ostentação.
Não os compraria para se exibir; comprá-los-ia porque quem percebe vai reparar neles. A distinção é subtil, mas extremamente eficaz. É a diferença entre ruído e sinal.

2. Seriam a definição de bom gosto concretizada.
Um objeto de Rafi Mercer ficaria numa sala como uma assinatura — discreto, mas inconfundível para quem o conhece. Diria a um convidado: entraste na casa de alguém que ouve com atenção.

3. Transformariam o ato de ouvir numa forma de exibir o seu estilo de vida.
Não é um passatempo. Não é uma fase. É uma forma de mostrar ao mundo que atingiste um nível em que a presença, e não a posse, é a verdadeira moeda de troca.

4. Pertenceriam a uma tribo muito pequena.
Não os ricos, mas sim aqueles que estão em sintonia. Os guardiões globais da arte de ouvir — aqueles que compreendem que, hoje em dia, o luxo é a liberdade de abrandar o ritmo, moldar o seu espaço e cultivar o sentido à sua maneira.

5. Seriam objetos que passariam de geração em geração.
Concebidos não para impressionar, mas para perdurar. O tipo de coluna pela qual os seus filhos iriam disputar. O tipo que se torna mais poderoso à medida que a história do seu dono se aprofunda.

Porque esse é o sinal definitivo de prestígio na nossa época:
não o facto de se possuir algo caro,
mas sim o facto de se possuir algo bem pensado.

No mundo que pretendo construir, o luxo não é uma questão de volume. É controlo. É bom gosto. É a satisfação pessoal de saber que, enquanto o mundo gira no caos, o teu espaço — a tua experiência auditiva, o teu som, o teu refúgio — continua a ser inteiramente teu.

Uma coluna Rafi Mercer seria o símbolo disso mesmo.
Uma demonstração discreta de poder.
Um poder silencioso.
O luxo de ouvir, concretizado.


Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante.
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