The Pointer Sisters — «I’m So Excited» (1982)
A alegria como força motriz numa década marcada pela ansiedade
Por Rafi Mercer
Há canções que parecem ter sido escritas para um determinado momento — e outras que parecem ter sido escritas em oposição a ele. «I'm So Excited» pertence claramente à segunda categoria. Quando foi lançada, em 1982, o mundo não estava propriamente a passar por um momento fácil. E foi precisamente por isso que a canção foi tão importante.
No início dos anos 80, o clima cultural tinha mudado. O otimismo das décadas do pós-guerra tinha-se esmorecido. Em segundo plano, pairavam a Guerra Fria, a ansiedade nuclear, a recessão, o desemprego, as greves e o aperto cada vez maior do conservadorismo em ambos os lados do Atlântico. Na Grã-Bretanha, o thatcherismo estava a remodelar a vida quotidiana. Nos EUA, a confiança da era Reagan vinha acompanhada de inquietação económica. As cidades estavam mais duras, mais agitadas, mais barulhentas. As pessoas estavam a aprender a avançar mais depressa — ou a ficar para trás.

E foi nesse ambiente que as Pointer Sisters entraram, não com protesto, nem com ironia, mas com uma sensação de libertação.
«I’m So Excited» não era nada subtil. Não pediu permissão. Não se prolongou. Irrompeu de repente.
Musicalmente, a faixa é pura propulsão. Os acordes de sintetizador encaixam-se com uma confiança quase mecânica. A linha de baixo é elástica e inquieta. A bateria é firme, brilhante, quase impaciente. Não se trata do groove descontraído e fluido dos seus trabalhos do início dos anos 70 — trata-se de alegria concebida com precisão. Pop, sim, mas um pop aperfeiçoado pela disciplina.
A nível vocal, a canção funciona graças ao ímpeto coletivo. Não há um único narrador a dominar o espaço. A emoção é partilhada, em camadas, comunitária. Isso é importante. Não se trata de felicidade privada — é a permissão pública para nos sentirmos bem. Em discotecas, carros, cozinhas, pistas de dança, a canção criou um momento de elevação. Durante três minutos, a gravidade abrandou.
Vale a pena referir que o sucesso da canção não foi imediato. Quando foi lançada pela primeira vez em 1982, teve um desempenho modesto. Só com o relançamento em 1984, a par da ascensão da MTV e de um clima económico e cultural ligeiramente mais favorável, é que a canção descolou verdadeiramente — acabando por se tornar um dos grandes sucessos do grupo. No mundo da música pop, o timing é tudo. A canção não mudou. O mundo é que se adaptou.
Essa demora diz-nos algo importante. «I’m So Excited» não fez sucesso porque refletia o que as pessoas já sentiam. Fez sucesso porque lhes ofereceu aquilo que lhes faltava. Numa época em que a seriedade, a ambição e a pressão dominavam a vida pública, a canção proporcionou aos ouvintes uma explosão controlada de prazer sem complicações. Sem cinismo. Sem piscadelas de olho. Apenas alegria.
É por isso que ainda funciona hoje em dia.
Ouça-o hoje e poderá ouvir a arquitetura do pop moderno a ser construída em tempo real — a forma como o ritmo se transforma em estrutura, a forma como a repetição se transforma em segurança, a forma como a energia se transforma em identidade. É o som da música a aprender a funcionar num mundo mais rápido e mais exigente.
No entanto, por baixo do brilho, há algo de profundamente humano nisso. A emoção, neste caso, não é decadência. É sobrevivência. Uma lembrança de que a alegria não tem de ser conquistada através do sofrimento. Às vezes, basta simplesmente deixar-se levar por ela.
No fim de contas, «I’m So Excited» não trata da celebração como excesso.
Trata-se da celebração como contrapeso.
Uma pequena e luminosa afirmação de que, mesmo quando o mundo se torna mais opressivo, o corpo continua a querer mover-se — e o coração continua a querer permissão para se sentir leve.
Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante.
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