Nos dias em que nos sentimos cansados, construir continua a exigir concentração
O peso de construir sozinho
Por Rafi Mercer
Há dias em que não é o facto de ter de ouvir que nos esgota, mas sim o processo de construção. Fazer algo sozinho parece sempre romântico, até estarmos no meio da ação. As fases iniciais exigem uma concentração extremamente intensa, e isso, por si só, tem o seu preço.
Hoje sinto isso. Sinto-me cansado, porque todas as decisões têm de ser minhas. Cada passo tem de ser dado sem o conforto de uma máquina maior a apoiar-me.
O «Tracks & Tales» ainda está apenas no início, e essa é a parte mais difícil. É fácil perder-se na complexidade, mas a lição à qual volto sempre é esta: tem de ser simples.
O Guia tem de ser simples. Não deve estar sobrecarregado, nem desorganizado, nem ser forçado a ser algo que ainda não pode ser.
É a simplicidade que lhe dá força, que lhe permite manter-se de pé.
Lembro a mim mesmo: três coisas de cada vez. Trabalhar em três coisas, concluí-las e, só depois, seguir em frente.
A concentração é a chave. Sem ela, tudo desmorona. Com ela, a estrutura começa a ganhar forma.
Estar cansado hoje não significa parar. Significa apenas trabalhar mais devagar, trabalhar de forma mais simples.
Um marco de cada vez.
Uma página de cada vez.
Uma cidade de cada vez.
O esforço de construir é, por si só, real, mas a recompensa também o é quando sabemos que cada peça é nossa.
É agora que me lembro do anúncio «The Crazy Ones» da Apple, que dizia que, para pensar de forma diferente, talvez seja preciso ser louco, por mais simples que isso possa parecer.
O «Tracks & Tales» vai crescer, mas só se se mantiver fiel a essa clareza. Simples, com prioridade no som, honesto. O resto pode vir mais tarde. Por agora, o que importa é o foco e a disciplina de o manter suficientemente pequeno para se poder mover.
Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da rubrica «Tracks & Tales»,subscreva aqui ou clique aqui para ler mais.