As cidades estão a começar a interligar-se
Sobre explorar uma ideia no escuro — e o que isso significa quando o mundo começa a procurá-la
Não sabia se havia alguém por aí.
Essa é a versão sincera. Quando comecei a criar o «Tracks & Tales», não havia nenhum mapa, nenhum precedente, nenhuma garantia de que aquilo a que aspirava — um guia dos espaços onde a música é ouvida, realmente ouvida — fosse algo que o mundo quisesse ou sequer reconhecesse. Estava a explorar no escuro. Havia dias em que nem sabia bem o que estava à procura. Mas continuei em frente.
Os primeiros sinais foram discretos. Um leitor em Osaka. Alguém em Lisboa a navegar na Internet à meia-noite. Uma pesquisa por bares com música ao vivo em Quioto, feita a partir de um local que nunca saberei. Cada um deles parecia menos um dado e mais uma mão a surgir através da parede.

Esta semana, analisei os números com atenção pela primeira vez há algum tempo. E algo mudou.
As cidades estão a ser indexadas. Osaka, Barcelona, Madrid, Copenhaga, Lisboa, Atenas, Cairo, Seul. Cinquenta e oito cidades aparecem agora nos resultados de pesquisa. As pessoas que procuram Frankfurt, Estocolmo, Istambul, Varsóvia — encontram-nos. Não porque tenhamos feito publicidade nessas cidades, mas porque os textos chegaram lá antes de nós.
E depois aquela que me chamou a atenção. A pesquisa mais popular desta semana, o termo com a taxa de conversão mais elevada de toda a plataforma: Tracks and Tales. Não é uma cidade. Não é um género. É o próprio nome. Alguém o digitou e veio à procura.
Esse é um tipo diferente de sinal. Significa que a ideia se separou de mim. Está a avançar por si própria.
Ainda não sei exatamente para onde isto vai levar. A sala de audição que quero construir. Os membros que se reúnem em torno destes álbuns todos os meses. As cidades a que ainda não chegámos — Tóquio à espera, Paris ainda por conquistar, Los Angeles a começar agora a mudar. O mapa ainda não está concluído. Talvez nunca venha a estar.
Mas as cidades estão a ligar-se. E isso, por enquanto, é suficiente para continuarmos a avançar.
Perguntas frequentes
O que é o Tracks & Tales? O Tracks & Tales é o primeiro guia do mundo dedicado à cultura da audição — abrangendo bares de audição, kissa-ten, espaços para audiófilos e locais onde a música é levada a sério, em mais de 150 países. Comece por aqui.
Como é que decidem quais as cidades a incluir? Seguimos o que ouvimos. Se uma cidade tem uma cultura do som intencional — um espaço onde o sistema é importante, onde o silêncio é respeitado, onde a música é o que importa —, então tem o seu lugar no guia. Explore os guias das cidades.
O que é o The Listening Club? O The Listening Club é o clube de membros fundadores da Tracks & Tales. Os membros recebem sessões mensais de álbuns, uma newsletter semanal privada, acesso total à plataforma e um preço fixo permanente ao valor de lançamento. As vagas são limitadas. Inscreva-se aqui.
Todos os meses, o The Listening Club reúne-se em todo o mundo.Inscreve-te aqui.
Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da secção «Tracks & Tales», subscreva ou clique aqui para ler mais.