Índice de álbuns do The Listening Bar — Dezembro de 2025
Uma seleção mais calma dos álbuns que vejo constantemente as pessoas a escolherem para ouvir com atenção.
Por Rafi Mercer
Houve uma altura em que os gráficos nos davam informações úteis.
Não nos diziam o que estava na moda nem o que tinha sido mais promovido. Refletiam aquilo com que as pessoas se preocupavam o suficiente para procurar, comprar e com que conviviam. Cresci a acompanhar a Billboard e a NME, não porque fossem perfeitas, mas porque avançavam a um ritmo humano. Esperávamos por elas. Confiávamos que alguém tinha estado atento.
Com o passar do tempo, essa confiança foi-se desgastando.
As tabelas de vendas tornaram-se espelhos da velocidade e da escala. Os álbuns foram desmembrados, a audição ficou fragmentada e a atenção passou a ser medida em segundos, em vez de se basear no compromisso. O que perdurava foi substituído pelo que alcançava picos de popularidade.
Mas, nos bastidores, havia outra coisa que nunca desapareceu.
As pessoas continuam a procurar álbuns pelo nome.
Continuam a ler sobre eles.
Continuam a recorrer aos mesmos discos quando querem ouvir música a sério — em bares de música, em casa, tarde da noite ou numa tarde tranquila, quando têm tempo livre.
Esse comportamento é lento. É deliberado. E é isso que me interessa.
Assim, a partir de dezembro de 2025, vou introduzir algo simples no Tracks & Tales:
Tabelas de álbuns de Rafi Mercer.
As tabelas serão atualizadas uma vez por trimestre. Cada edição incluirá 100 álbuns. Não serão classificadas com base no sensacionalismo nem irão atrás das novidades. Existem para destacar o que perdura.
Não utilizo algoritmos. Não consulto as tabelas de streaming. Não me interessa a dinâmica do mercado. O que me interessa é a escolha.
A primeira coisa que analiso é o que acontece no próprio site — apenas tráfego orgânico. Sem publicidade paga, sem divulgação nas redes sociais. Apenas aquilo que as pessoas procuram ativamente, onde chegam e com o que optam por passar tempo. Álbuns que as pessoas descobrem por si próprias.
Depois, presto atenção ao tempo que as pessoas ficam. Quais as faixas do álbum que são ouvidas devagar, concluídas, às quais voltam. O tempo dedicado é mais importante para mim do que o volume.
Também noto uma certa recorrência. Álbuns que vão surgindo naturalmente em ensaios sobre cidades, dossiês de salas de espetáculos e rituais de audição. Discos que funcionam na prática, não apenas em teoria.
Há também a questão de ouvir música. Os álbuns aos quais volto, uma e outra vez, sem a obrigação de procurar novidades. Se algo continua a merecer o seu lugar no gira-discos, isso é que conta.
E, por fim, há a moderação. É natural que os álbuns caiam no esquecimento. Nada é permanente. Se a atenção diminui, as tabelas mudam — lentamente, com honestidade, sem sentimentalismo.
Em conjunto, estes elementos formam um quadro que nenhum algoritmo consegue perceber: o que as pessoas escolhem ouvir quando realmente se interessam por algo.
A primeira edição será lançada ainda este mês. Cem álbuns. Sem competição por posições. Sem alarido. Apenas um ponto de referência para quem ainda acredita que vale a pena dedicar tempo a ouvir música como deve ser.
Os álbuns nunca foram concebidos para serem feitos à pressa.
E nenhum dos dois estava a ouvir.
Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante.
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