A Noite em que Doze Pessoas Ouviram

A Noite em que Doze Pessoas Ouviram

Um quarto, um disco e o início de algo para o qual ainda não tinha um nome

Havia um bar que eu conhecia com boa música, um sítio da zona.

Não era um bar de audição — era apenas uma sala que, por acaso, tinha colunas em que se podia confiar e um proprietário a quem não importava o que acontecesse numa noite tranquila. Perguntei a doze pessoas se queriam vir ouvir um disco juntas. Não para falar sobre ele. Não para o avaliar. Apenas para ouvir.

A maioria deles pensava que sabia no que se estava a meter.

Não o fizeram.

Não pus o disco a tocar logo. Primeiro, contei-lhes uma coisa — sobre o motivo pelo qual ouvimos, ou pelo qual deixámos de ouvir. Sobre o momento em que entregámos a nossa atenção a sistemas criados para a reter e considerámos isso uma troca justa. Conveniência foi o que nos venderam. Atenção foi o que pagámos.

Não foi um sermão. Quero deixar isso bem claro. Foi mais como libertar-me de algo que andava a carregar há muito tempo, sem me aperceber.

E, de repente, a agulha caiu.

As pessoas que, vinte minutos antes, estavam a pegar nos telemóveis ficaram completamente imóveis. Não porque eu lhes tivesse pedido. Mas porque a música começou a tocar e elas estavam preparadas para isso. Isso não acontece por acaso. Acontece quando alguém lhes explica, antes de começar, porque é que isso é importante.

Naquela noite, conduzi até casa a pensar em escala. Em como se consegue transmitir um sentimento como aquele a pessoas que nunca conhecemos, em cidades onde nunca estivemos. Não conseguia dar a volta ao mundo. Era apenas uma pessoa com uma ideia e um bar com altifalantes decentes.

Alguém disse: começa simplesmente a dizer às pessoas o que estás a pensar.

E foi o que fiz. Todos os dias. Durante dezoito semanas, quase ninguém apareceu.

E então, uma manhã, olhei para cima e mil pessoas tinham-me encontrado. Não através de publicidade. Não através de um algoritmo que eu tivesse manipulado. Através da escrita. Através do ato diário de publicar algo sincero algures e de confiar que as pessoas certas acabariam por chegar.

Isso foi apenas o começo.

No final deste primeiro ano, espero que mais de cem mil pessoas tenham descoberto o Tracks & Tales de alguma forma — através dos guias, da adesão, dos artigos e, agora, de algo novo. Algo que sempre esteve destinado a acontecer. Só que eu não sabia que iria chegar a este ponto.

Amanhã, o The Listening Club realiza a sua primeira sessão.

Um álbum. Em vinil, do início ao fim. Donald Byrd — Places and Spaces, 1975, Blue Note. E entre as faixas, outros discos — música cuidadosamente escolhida que se relaciona com o que se está a ouvir. Influências, ecos, paralelos. Uma forma de compreender devidamente um álbum, ao mesmo tempo que se constrói silenciosamente um panorama mais amplo à sua volta.

Comecei isto porque acreditava que saber ouvir era algo que podíamos voltar a aprender.

É amanhã que vamos descobrir.

Junta-te a mim 

Rafi Mercer


O que é o The Listening Club? O The Listening Club é a adesão fundadora do Tracks & Tales — uma sessão de álbum por mês, acesso total aos nossos guias de cidades em 151 países e um preço fixo permanente de 10 dólares por mês. A adesão fundadora está limitada a 200 lugares. Quando esses lugares se esgotarem, este nível será encerrado.

Porquê «Donald Byrd — Places and Spaces»? Gravado em Los Angeles no verão de 1975, produzido pelos irmãos Mizell, que vieram da Motown e criaram algo que nem o jazz nem o funk tinham feito antes. É um disco feito para uma sala. Amanhã vamos descobrir como soa numa.

Preciso de saber alguma coisa sobre jazz para me juntar a vocês? Absolutamente nada. Basta estares disposto a ouvir. Essa é a única condição que sempre importou aqui.


Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da secção «Tracks & Tales», subscreva ou clique aqui para ler mais.

Todos os meses, o The Listening Club reúne-se em todo o mundo. Inscreve-te aqui.

Voltar às histórias

Não é uma lista de reprodução.

O número de membros fundadores está limitado a 200 em todo o mundo. O Clube de Audição «Tracks & Tales» destina-se a quem compreende que ouvir não é apenas ruído de fundo, mas sim uma forma de estar presente.

INSCRIVA-SE AGORA