303 Audiophile Bar: O refúgio das frequências graves de Barcelona

303 Audiophile Bar: O refúgio das frequências graves de Barcelona

Por Rafi Mercer

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O 303 Audiophile Bar é um dos espaços alternativos de audição do L’Eixample — descubra mais no nosso guia de locais de música em Espanha.

Nome do local: 303 Audiophile Bar
Morada: Carrer de Casp 33B, 08010 Barcelona, Espanha
Instagram: @303audiophile.bar
Site: La Textil Collective
Telefone: Não divulgado publicamente

Há um recanto de Barcelona onde o som se propaga de forma diferente. A Carrer de Casp, com o seu fluxo de trabalhadores de escritório e cafés, não é o local mais óbvio para procurar um refúgio sonoro. No entanto, por baixo desta superfície encontra-se o 303 Audiophile Bar, um refúgio subterrâneo onde as frequências não são apenas ouvidas, mas sentidas, um local onde o pulso da cidade abranda para revelar os pormenores.

O nome diz tudo. 303 é simultaneamente uma referência e uma promessa: o icónico Roland TB-303, espinha dorsal do acid house, e um número que simboliza a lealdade à cultura eletrónica. Mas, neste caso, não é sinónimo de batidas implacáveis ou de volume avassalador. Pelo contrário, simboliza fidelidade — um espaço onde cada tom, seja ele eletrónico ou acústico, é reproduzido com cuidado.

Ao entrar pelas portas do La Textil Collective — uma mistura de cervejaria, cozinha e centro criativo situado no andar de cima —, deparar-se-á com uma escadaria que o conduz para baixo, para um espaço mais escuro. Esta descida parece deliberada, quase ritual. A luz esmorece, as paredes tornam-se mais espessas e o som começa a ganhar forma. Chega-se a um salão que não é nem uma discoteca nem um café, mas algo entre os dois: uma sala concebida para a audição em grande escala, e não para o espetáculo.

O sistema de som é a estrela. O La Textil descreve-o como «um dos sistemas de áudio mais impressionantes da cidade», e é evidente que não se trata de hipérbole. Torres de colunas, meticulosamente posicionadas, irradiam calor e clareza. Os graves são profundos, mas bem definidos; os médios, ricos e presentes; os agudos, cristalinos. Sente-se na caixa torácica, sim, mas, mais do que isso, ouve-se o pormenor — a reverberação do rabo do hi-hat, as micro-variações num padrão de sintetizador, a tensão ao vivo numa gravação. É um sistema que exige respeito.

A programação do 303 é eclética, mas assenta na música eletrónica. Os espetáculos do Off-Sonar, os concertos intimistas e as noites de DJ, onde os seletores têm liberdade para explorar percursos musicais prolongados — são a alma deste espaço. No entanto, ao contrário de muitos clubes, o objetivo aqui não é o volume por si só. Trata-se do som como ambiente, como arquitetura, como espaço partilhado. Não se vem aqui para se perder no caos, mas para se encontrar na frequência.

A acústica da sala reflete essa intenção. Ao contrário de discotecas com forma de caixa ou salas com demasiada reverberação, o 303 foi concebido para absorver e refletir o som na medida certa, criando um equilíbrio entre potência e intimidade. É possível manter uma conversa, se assim o desejar, mas, na maioria das vezes, acaba por ficar em silêncio, não por necessidade, mas porque o som merece a sua atenção.

A noite aqui tem uma certa atmosfera. No início da noite, o público pode ser mais reduzido, a sala está iluminada com luz âmbar e os DJs escolhem músicas de coleções mais obscuras — passagens ambientais, temas dub, música eletrónica com influências de jazz. Mais tarde, a energia aumenta, as pessoas aproximam-se, as bebidas fluem, mas o som nunca chega a distorcer-se. É controlado, preciso, mantendo a mesma fidelidade às 2 da manhã que tinha às 20h.

A ligação com o La Textil, no andar de cima, vai além do espaço físico. A filosofia do artesanato — cerveja fabricada com cuidado, comida concebida com equilíbrio — estende-se até ao piso inferior. No 303, o som é trabalhado da mesma forma: ingredientes escolhidos, proporções ajustadas, apresentação aperfeiçoada. A equipa também reflete esta filosofia, orientando os recém-chegados, apresentando os seletores e garantindo que o ambiente se mantém coletivo, em vez de comercial.

O Instagram oferece vislumbres desta vida underground: os DJs a meio das suas atuações, o brilho suave do sistema de som, a intimidade do público. As publicações são esporádicas, mas reveladoras, transmitindo a autenticidade de um espaço que não precisa de se promover em grande. A reputação espalha-se pelo boca a boca, pelas listas do Resident Advisor e pela memória de noites em que o som permaneceu na memória muito tempo depois.

Sair do 303 é sair transformado. A rua lá fora parece mais estreita, mais silenciosa, mais plana. O teu ouvido foi recalibrado, o teu corpo sintonizou-se com subtilezas que o mundo, com demasiada frequência, abafa. Este é o dom dos verdadeiros espaços de escuta: lembram-nos que o som, quando tratado com reverência, pode remodelar a própria perceção.

Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da rubrica «Tracks & Tales», subscreva ou clique aqui para ler mais.

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