Black Lacquer — Londres / Old Bailey — Subterrâneo, com predominância de vinil, intimista
Por Rafi Mercer
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Nome do espaço: Black Lacquer
Morada: 15 Old Bailey, Londres EC4M 7EF, Reino Unido
Site: https://hydehotels.com/london-city/restaurants-bars
Instagram: @blacklacquer
O Black Lacquer situa-se por baixo do Old Bailey como uma respiração suspensa — uma sala de audição escondida nas profundezas da Square Mile. Entra-se pelo HYDE London City, desce-se as escadas e o ritmo da cidade muda instantaneamente. Lá em cima, ouve-se o barulho e o ritmo de Londres; aqui em baixo, a luz incide suavemente sobre as paredes lacadas de preto, e toda a sala parece estar afinada, não apenas decorada. É menos um bar e mais uma frequência subterrânea.
Há vinil por todo o lado — não como elemento de design, mas sim como finalidade. A coleção abrange vários géneros com uma espécie de autoridade discreta: música ambiente, jazz modal, soul da meia-noite, ritmos de amapiano que parecem ter sido criados para espaços como este. Nada é apressado. Nada parece forçado. A Black Lacquer acredita que, se oferecermos às pessoas um bom som e um bom espaço, elas irão ao nosso encontro.

A primeira coisa que se nota é a acústica. Sente-se mais do que se ouve: contornos suaves, reverberação controlada, um calor que sustenta os graves sem os abafar. O sistema não é publicitado, e isso é muito típico de Londres — as melhores salas da cidade costumam esconder a sua arte. Mas é possível perceber a calibração na forma como a conversa se mistura nos limites, sem nunca se sobrepor ao disco que está a tocar. Esta é uma vida noturna dedicada à audição, não uma vida noturna barulhenta.
O próprio bar brilha — uma faixa horizontal de âmbar, laca e reflexos. Os cocktails têm um toque japonês: o brilho do yuzu, a salinidade das algas marinhas, o shōchū puro e fresco no copo. São compostos, em vez de misturados, com a mesma contenção que a música transmite. Aqui, uma bebida parece mais uma pontuação do que uma atuação — algo que molda o arco da noite, em vez de o acelerar.
O que confere ao espaço o seu verdadeiro encanto, porém, é a sensação de intencionalidade. Há cabines recortadas na parede, cujas sombras refletem o brilho das garrafas e dos discos. Há mesas posicionadas com a precisão suficiente para que se possa conversar, mas apenas se assim se quiser. Há a sensação de que o Black Lacquer está a tentar restaurar algo que perdemos na vida urbana: uma atmosfera que não está à venda, uma presença que não é forçada, uma escuta que não é tratada como ruído de fundo.
Ao longo da noite, o ambiente vai mudando ao ritmo do vinil — lento, global, a desenrolar-se. No início, a sala absorve a música ambiente como se fosse a própria respiração. Mais tarde, o jazz roça o disco com uma suavidade que parece cinematográfica. Perto do fim, poderá ouvir algo com ritmo, não ao estilo de discoteca, mas o suficiente para lhe lembrar que Londres está sempre viva por baixo da superfície.
E é aqui que o Black Lacquer conquista o seu lugar no atlas dos bares musicais. Não faz alarde sobre o que é. Não precisa da comparação com Tóquio nem da referência ao Brooklyn. Assume-se por si só: um bar subterrâneo numa cidade de milhões que sabe que o luxo mais moderno é a atenção. E retribui essa atenção — à música, à arte, às pessoas que aqui vêm não para fugir de Londres, mas para a sentir de forma diferente durante uma ou duas horas.
Este é um bar concebido para quem compreende que ouvir é um modo de vida. O tipo de lugar onde as ideias se assentam, onde as conversas ganham forma, onde as noites se tornam mais reflexivas do que agitadas. Um lugar que parece ter sido criado para o momento atual — para o regresso do ambiente, das nuances e do renascimento gradual de espaços onde o disco conduz a noite.
O Black Lacquer não é um segredo, mas comporta-se como tal. E numa cidade como Londres, essa pode ser a sua característica mais valiosa.
Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante.
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