Bonsai HiFi — Cali, Colômbia

Bonsai HiFi — Cali, Colômbia

Uma pequena sala na Calle 2, onde a capital mundial da salsa se reúne para ouvir música.

Por Rafi Mercer

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Nome do local: Bonsai HiFi
Morada: Calle 2 n.º 10-30, Comuna 3, Cali, Valle del Cauca, Colômbia
Site: bonsaihifi.co
Instagram: @bonsai.hifi
Telefone: Não divulgado
Perfil no Spotify: N/A

Cali não sabe o que é o silêncio. Às dez, a salsa já está a tocar na calçada, os metais a ecoarem pelas frentes abertas dos estabelecimentos que tocam o mesmo repertório há quarenta anos, os timbales a ecoarem duas ruas mais além do que deveriam. Aqui, o som é bem público. Pertence à rua muito antes de pertencer ao quarto de alguém.

Depois, a Calle 2, uma porta e uma varanda que se projetava por cima dela.

O Bonsai HiFi é um único espaço. Não se isola do exterior — a varanda abre-se para o quarteirão em vez de o excluir, e a rua continua a chegar ao longo de toda a noite, sem ser convidada e, aparentemente, bem-vinda. Para um espaço concebido em torno da fidelidade sonora, trata-se de uma decisão invulgar. Parece-se menos com um lapso do que com uma escolha deliberada.

O que sai da sala não corresponde ao que se passa lá fora. A programação vai desde vinis antigos, passando pelo deep house, até ao techno melódico; os convidados têm à disposição noites inteiras, em vez de intervalos de quarenta minutos, e a seleção é tratada como algo com um autor, em vez de uma função. A sala está organizada em torno do som, em vez de em torno de uma pista de dança, e é suficientemente pequena para que essa disposição funcione de facto. Ninguém está a mandar ninguém calar a boca. Mas a música é, sem dúvida, a razão pela qual a sala existe.

A distância percorrida só faz sentido se soubermos o que é Cali. Esta é a cidade que tirou a salsa a Nova Iorque e a Porto Rico e a guardou para si — discos que chegavam a Buenaventura, no Pacífico, eram transportados para o interior e tocados até os sulcos se esgotarem. Cali construiu as «viejotecas» para que os discos antigos e as pessoas que dançaram ao som deles pela primeira vez pudessem continuar a desfrutar das suas noites. Fez de «Cali Pachanguero» um hino cívico. Transformou a dança numa forma de alfabetização, ensinada desde cedo e posta à prova em público. A cidade ouve com mais atenção do que quase qualquer outro lugar que eu consiga nomear.

Só que, normalmente, não o faz sentado.

É isso que torna um bar de audição uma proposta genuinamente invulgar por estas bandas, e é por isso que o Bonsai HiFi é mais interessante do que mais uma sala com boas colunas. Em Tóquio, o bar de audição é um refúgio do ruído. No Brooklyn, é uma correção ao algoritmo. Em Cali, é uma contestação ao próprio instinto da cidade — um convite a permanecer imóvel num local que sempre respondeu à música com movimento. O bar trabalha com isso, em vez de contra isso. A música tem um temperamento próprio do Pacífico: calorosa, paciente, sem pressa, e o público é pequeno e diversificado, proveniente em grande parte de outras partes do mundo, bem como do próprio bairro.

Atrás do balcão encontra-se o viche, a bebida alcoólica à base de cana-de-açúcar da costa afro-colombiana do Pacífico, produzida ilegalmente há várias gerações e agora reconhecida na legislação colombiana como património cultural. É um pormenor interessante ter ao lado do sistema de som. Ambos são coisas que a costa criou para si própria, levou para o interior e se recusou a abandonar.

San Antonio ergue-se lá em cima: a colina, a igreja e os degraus onde a cidade vai ver o seu próprio pôr-do-sol. Abaixo disso, isto. Uma porta, uma varanda, um pequeno lance de escadas para cima, uma divisão que poderia ser a sala de estar de alguém, se a sala de estar de alguém tivesse sido aperfeiçoada.

Lá em baixo, a festa de salsa ainda está a decorrer. Lá dentro, a banda toca até ao fim.


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