Clutch — O pulso sonoro industrial de Banguecoque
Por Rafi Mercer
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O Clutch Bar é um dos bares musicais mais bem concebidos de Banguecoque; descubra mais no nosso guia de locais musicais da Tailândia.
Detalhes do local
Nome do local: Clutch Bar
Morada: 51 Soi Sukhumvit 49, Banguecoque, Tailândia
Site: clutchbarbangkok.com
Instagram: @clutchbarbkk
Telefone: Não divulgado publicamente
Perfil no Spotify: Não disponível
Banguecoque sempre viveu ao ritmo da cidade. Desde o barulho do trânsito até ao zumbido noturno dos mercados de comida, a cidade é uma colagem de sons. O Clutch Bar capta essa energia crua e transforma-a num espaço concebido inteiramente em torno da fidelidade sonora. Situado no segundo andar de um edifício em estilo armazém, mantém a estrutura industrial, mas suaviza-a com o som. As vigas de aço e o betão permanecem à vista, mas o espaço transmite calor, concebido não para o espetáculo, mas para a ressonância.
A primeira impressão é visual: um espaço minimalista e intenso ao mesmo tempo, mas é o sistema que nos cativa. As colunas JBL 4350, imponentes com os seus clássicos defletores azuis, dominam a sala com autoridade. São alimentadas por amplificadores McIntosh, cujo brilho verde se tornou um símbolo da devoção dos audiófilos. Ao lado delas encontram-se gira-discos Technics, um gravador de bobina a bobina e até leitores de cassetes, tudo isto para nos lembrar que o Clutch se preocupa tanto com o formato como com a música. Aqui, cada suporte tem a sua oportunidade de brilhar.
O ambiente é mais sombrio do que o de muitos bares de terraço ou discotecas com néon de Banguecoque. A iluminação é deliberadamente fraca, concebida para chamar a atenção para o sistema. As mesas alinham-se ao longo das paredes, enquanto o centro da sala permanece aberto, um espaço onde as pessoas se podem reunir, seja para conversar ou para dançar. O bar em si é funcional, construído em metal e madeira, e serve uma seleção de cocktails que privilegiam a pureza do sabor em detrimento da ornamentação. Os whiskies japoneses e os rum tailandeses partilham espaço com vinhos naturais e cervejas locais, tornando as bebidas tão diversificadas quanto a música.
A programação é eclética, mas intencional. Uma noite pode dar ênfase ao soul clássico, outra ao house experimental e, ocasionalmente, um DJ mergulha fundo nas raridades do jazz. O gravador de bobina é mais do que uma decoração, é um arquivo ativo que acrescenta outra textura à noite. Fica-se com a sensação de que o Clutch não se centra tanto em seguir tendências, mas sim em explorar toda a amplitude do som gravado.
Ao contrário de alguns bares de música que promovem o silêncio como regra, o Clutch aceita a conversa como parte da sua atmosfera. As pessoas conversam, reúnem-se, bebem, mas sempre no contexto da música. O sistema está ajustado de forma a que os detalhes se mantenham nítidos mesmo com ruído de fundo, e o efeito é de equilíbrio. Este não é um museu de discos de vinil, é um bar vivo, repleto tanto de som como de energia social.
Banguecoque é uma cidade de contrastes e o Clutch prospera nessa tensão. É industrial e intimista, internacional mas com raízes locais, voltado para o futuro mas nostálgico em relação aos meios analógicos. A sua presença indica que Banguecoque está pronta para fazer parte da rede global de bares de audição, acrescentando a voz do Sudeste Asiático a um movimento que se estende por Tóquio, Londres, Lisboa e Nova Iorque.
Fica até tarde e sentirás a cidade a transformar-se à tua volta. As janelas do armazém contêm o caos de Sukhumvit e, durante algumas horas, o único mundo que importa é a paisagem sonora no interior. Quando finalmente voltas para a noite, o ruído da rua parece mais intenso, o ar mais pesado, e percebes que o Clutch te reajustou os ouvidos.
Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da rubrica «Tracks & Tales», subscreva ou clique aqui para ler mais.