Dill Pickle Club: Vinil, gravador de bobina e o primeiro bar de audição da Tasmânia

Dill Pickle Club: Vinil, gravador de bobina e o primeiro bar de audição da Tasmânia

No andar de cima, na St John Street, o primeiro bar de audição da Tasmânia mantém um nome inspirado em Chicago e um espaço concebido para conversas tranquilas ao som de discos.

Por Rafi Mercer

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Nome do local: Dill Pickle Club
Morada: Nível
1, 74–82 St John Street, Launceston, Tasmânia 7250, Austrália
Site: Nenhum
publicado — não foi encontrado nenhum site próprio
Instagram:
@dill.pickle.club

Tooker Alley era uma pequena rua lateral da Dearborn Street, no bairro Near North Side de Chicago, e, durante a maior parte da década de 1920, o local mais animado daquela rua era um antigo estábulo reconvertido, onde Carl Sandburg, Ben Hecht, Clarence Darrow e Emma Goldman se reuniam para debater. Era gerido por Jack Jones. Ele chamava-lhe Dil Pickle Club, escrito com um só «L», e funcionava como um fórum de liberdade de expressão, um teatro, um bar clandestino e um dos primeiros locais de encontro para a vida social queer na cidade. Fechou no início dos anos 30. Já não existe há noventa anos e as pessoas ainda escrevem sobre ele.

Noventa anos depois e dez mil milhas mais a sul, há uma escadaria entre duas montras em Launceston.

Passaríamos por ele sem dar por isso. Parece ser essa a ideia. O Dill Pickle Club — desta vez com dois «L» — fica no primeiro andar de um edifício comercial da década de 1960, no n.º 74–82 da St John Street, por cima do Tatler Parade, e abriu no final de janeiro de 2025 como o primeiro bar de audição da Tasmânia. Foi criado por Robyn Schorn e David Micallef. Micallef afirmou que a acústica foi importante desde o início e que o gira-discos deveria fazer-se ouvir em toda a sala sem nunca impedir ninguém de conversar. Trata-se de uma escolha específica e nada insignificante. Isso aproxima o espaço mais de uma boa sala de estar do que de um «kissa», onde a regra é o silêncio e a música é a única coisa a que é permitido falar.

O espaço em si é tão invulgar que a maioria das pessoas que escreve sobre ele acaba por enumerar os seus elementos. Um pavimento cor de mostarda. Cabines em terracota. Madeira de blackwood da Tasmânia e painéis acústicos. Um balcão que se estende desde a entrada até à Tatler Lane, com equipamento hi-fi vintage dispostos nas prateleiras ao lado do vinho e do uísque, de modo que o equipamento faz parte da decoração, em vez de ser apenas um aparelho. Cortinas que suavizam a luz que entra da rua. Livros e jogos de tabuleiro à disposição dos clientes. Alguns descrevem o efeito como «mid-century modern»; outros, como «mid-century modern» misturado com algo do Bloco de Leste, o que é uma interpretação mais invulgar e, provavelmente, mais precisa.

O que se toca são discos de vinil e fitas de bobina, de qualquer época entre a década de 1920 e este ano, escolhidos para a hora em vez de pelo género. Vale a pena fazer uma pausa para falar das fitas de bobina. É o formato mais difícil de utilizar num bar — as fitas são caras, as máquinas exigem atenção e quase ninguém na sala saberá o que está a ouvir. Colocar uma atrás do balcão é uma afirmação feita principalmente a si próprio.

Micallef atribui a origem do nome à delicatessen do filme «The Blues Brothers» e a uma loja de discos chamada «Dill Pickle Records» que planeou há cerca de uma década e que nunca chegou a abrir. A referência a Chicago pode ter sido acidental. Mas não se ficou por aí. As próprias publicações do bar abordam temas como a dissidência dos condenados na década de 1820 e as lutas laborais que se seguiram, e têm organizado noites com títulos que soam mais a panfletos do que a sessões de DJ. Seja qual for a intenção dos fundadores, o espaço foi-se aproximando do seu homónimo: um local onde as pessoas sobem para ouvir algo e acabam por discutir sobre o assunto.

As bebidas incluem cocktails clássicos, vinho e cerveja locais, uma carta de uísques reduzida e aguardente caseira. Há queijos, molhos e um prato de pickles fritos, que é o tipo de piada que um bar só pode fazer uma vez na vida. Na altura da inauguração, as portas abriam às 16h, de quinta a domingo; verifique antes de ir, porque um bar com dezoito meses de existência pode mudar de local. Estavam previstas uma varanda e um terraço. Talvez já existam.

Ninguém divulgou em que consiste o sistema. Nem marca, nem caixa, nem cartucho — todos os relatos referem que está cuidadosamente ajustado e ficam por aí, o que normalmente significa que ninguém se lembrou de perguntar. Não estive presente na sala, por isso não vou dizer-vos como soa.

Mas eu sei para que serve uma escadaria entre duas montras. É um filtro. Afasta todos aqueles que não estavam a olhar, o que é o truque mais antigo de uma sala de audição, e que a Tooker Alley também conhecia.


Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Leia mais no Tracks & Tales Daily, subscreva ou consulte o índice completo de locais.

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