epulor — A frequência tranquila de Nakameguro

epulor — A frequência tranquila de Nakameguro

Por Rafi Mercer

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Nome do local: epulor
Morada: 1-19-10 Aobadai, Meguro-ku, Tóquio 153-0042, Japão.
Site: epulor.jp
Instagram: @epulor_cafebar
Telefone: 080-8053-1067

Tóquio tem uma maneira de recompensar quem avança devagar. Numa rua lateral de Nakameguro — depois de passar pela margem do rio, onde as lanternas pendem baixas e o ar tem um leve aroma a cedro — encontra-se o epulor, um espaço que mais parece um momento de descanso do que um destino. É um café durante o dia, um bar de música à noite e um argumento silencioso a favor de fazer uma coisa de cada vez, como deve ser.

O nome significa «banquete», mas aqui o apetite é sensorial. O espaço é pequeno, cuidadosamente concebido: paredes de betão, madeira clara, uma luz âmbar suave que incide sobre um balcão revestido de vidro e vinil. De manhã, o ritual é o café — cafés de origem única preparados na chávena, café expresso de torra forte e aquele tipo de quietude que transforma o vapor em poesia. Ao anoitecer, surgem os discos. As válvulas brilham na penumbra. O vinho corre à vontade. A sala muda de temperatura, mas não de intenção.

Há uma espécie de disciplina na forma como o epulor ouve. O sistema de som — gira-discos, amplificadores de válvulas e aqueles inconfundíveis altifalantes Tannoy — foi ajustado para proporcionar intimidade, em vez de alcance. Jazz, música ambiente, soft rock e até mesmo alguma faixa eletrónica esporádica — tudo isto partilha aqui uma característica comum: um som quente, cheio e íntimo. A primeira coisa que se nota não é o volume, mas sim o peso. A segunda é o silêncio — a forma como se mantém entre as faixas, como um músculo que nunca se contrai.

Música, café, vinho, comida — cada elemento existe em equilíbrio. Pequenos pratos saem da cozinha com uma precisão que parece arquitetónica: terrina de matcha, cheesecake de carvão vegetal, pequenas taças de salada de citrinos ou pickles japoneses. A carta de bebidas reflete o ambiente — vinhos naturais de Yamanashi e do Loire, highballs de shochu, cocktails clássicos reduzidos ao essencial. Não há guarnições apenas por terem de haver. Tudo aqui tem o mesmo objetivo: ajudá-lo a permanecer no momento presente.

Não é um local que se dá a conhecer; ou o encontras, ou ele encontra-te. Os habitantes locais vão-se juntando depois do trabalho, com conversas em voz baixa, muitas vezes abafadas pelo chiado do vinil. Alguns turistas descobrem-no por acaso, seguindo a música que vem da rua. Os clientes habituais sabem que devem ocupar um lugar junto ao balcão — um ponto privilegiado de onde se pode ver o disco a girar, a bebida a ser servida e as luzes a mudarem de dourado para rosa. Os funcionários são guias atenciosos, falando suavemente sobre a torra do café ou o artista que está a tocar no gira-discos.

O epulor pertence àquela linhagem de espaços de Tóquio onde a audição é tratada como design. Partilha o ADN com locais como o Studio Mule e o Bar Martha, mas o seu coração bate mais devagar. Não se vem aqui para ser visto; vem-se aqui para desaparecer, para ouvir o ar à volta de uma nota. Faz parte de uma constelação de santuários sonoros espalhados por toda a cidade que definem o movimento da audição lenta. Se estiver a construir o seu próprio mapa de por onde começar, explore os nossos Locais de Audição em Tóquio ou procure mais bares de audição pelo Japão. Cada um vibra numa frequência ligeiramente diferente — mas o epulor poderá ser o mais silencioso de todos.

Quando a noite volta a envolver a rua, Nakameguro parece transformada. O som do rio sincroniza-se com a memória do último disco; as luzes cintilam na superfície como pratos de bateria a desvanecerem-se. Sai à rua e, por um momento, todo o bairro parece estar em sintonia. É esse o dom do epulor — recalibrar o teu sentido de ritmo até começares a ouvir o silêncio.


Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da secção «Tracks & Tales», subscreva ou clique aqui para ler mais.

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