Focando nas frequências: a cultura de audição moderna do Spincoaster em Shibuya

Focando nas frequências: a cultura de audição moderna do Spincoaster em Shibuya

Por Rafi Mercer

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O Spincoaster Music Bar é um dos bares musicais mais conceituados de Tóquio — descubra mais no nosso guia de locais musicais de Tóquio.

Nome do local: Spincoaster Music Bar
Morada: 1-7-9 Jingumae, Shibuya, Tóquio 150-0001, Japão
Site: spincoaster.com/musicbar
Telefone: +81 3-6455-2853
Perfil no Spotify: N/A

O bairro de Shibuya, em Tóquio, tem sido, há muito tempo, um caldeirão de ideias musicais — um local onde o caos das ruas, característico da cultura jovem, coexiste com décadas de história das lojas de discos. O Spincoaster Music Bar situa-se nessa encruzilhada, oferecendo um espaço onde a descoberta não é apenas incentivada, mas está incorporada no próprio design.

O nome deriva da Spincoaster, uma plataforma de música online que há mais de uma década se dedica a selecionar novos sons do Japão e de outros países. O bar físico é a concretização dessa filosofia: um espaço de audição, um local de espetáculos e um ponto de encontro para quem se preocupa com o que ouve.

Visto da rua, o Spincoaster não chama a atenção. A fachada é simples e a sinalética, minimalista. No interior, o espaço revela-se com linhas simples e texturas acolhedoras — madeira, tecidos suaves, metal escovado —, tudo disposto de forma a manter uma visão desimpedida entre os clientes e o sistema de som. O bar estende-se ao longo de um dos lados, em frente a uma parede repleta de discos e à cabina do DJ/palco.

O som é a primeira coisa que se nota. É rico sem ser excessivo, o tipo de afinação que permite ouvir o calor do analógico e a nitidez do digital sem que nenhum dos dois se sobreponha. A disposição das colunas é meticulosa — os graves estão presentes, mas nunca distorcidos, e as vozes situam-se no centro da sala como se fossem seres vivos.

A programação do Spincoaster é variada, mas sempre cuidadosamente selecionada. Algumas noites são dedicadas exclusivamente ao vinil — os DJs escolhem músicas de jazz, música ambiente, city pop japonês ou deep house, dependendo do tema. Outras incluem atuações ao vivo, quer se trate de um produtor de música eletrónica a criar faixas em tempo real, quer de um set acústico que se integra no fluxo da noite do DJ.

Numa sexta-feira no final do verão, cheguei a um espetáculo que começou com «Philharmony», de Harumi Hosono, e que se fundiu na perfeição com uma atuação ao vivo de sintetizador modular. A transição não se resumiu a sincronizar o andamento; tratava-se de transportar uma atmosfera de um meio para outro. Dava para ver o público — uma mistura de frequentadores habituais, profissionais do setor e transeuntes curiosos — a acompanhar a mudança.

A carta de bebidas segue o modelo moderno dos «listening bars» de Tóquio: whiskies japoneses, cerveja artesanal, cocktails bem confecionados e algumas especialidades sazonais divertidas (na noite em que lá estive, o «yuzu highball» foi o destaque). O serviço é rápido, mas nunca apressado, dando a impressão de que tudo é feito com cuidado.

O que distingue o Spincoaster dos bares de música mais tradicionais, ao estilo «kissaten», é a sua abertura à movimentação. Enquanto muitos locais em Tóquio mantêm os clientes sentados e em silêncio, o Spincoaster incentiva uma circulação discreta — aproximar-se para ver a capa de um disco, dirigir-se ao balcão para encher o copo ou dar uma espreitadela ao DJ a trabalhar. Continua a ser uma experiência de audição respeitosa, mas com um pouco mais de liberdade no espaço.

A ligação do espaço à presença mediática da Spincoaster significa que a programação nunca fica estagnada. Trazem seletores convidados de diferentes recantos da cena — DJs de rádio, proprietários de editoras, músicos em digressão — e essas noites dão frequentemente a sensação de serem um retrato do som atual de Tóquio.

Um dos meus momentos favoritos aconteceu durante uma sessão a meio da semana, em que o DJ estava a passar discos brasileiros raros. Entre as faixas, não se ouvia nenhuma conversa no microfone, apenas o silêncio da troca da capa, o clique da agulha e o início de mais uma joia musical. As pessoas recostavam-se nas suas cadeiras, com bebidas na mão, e toda a sala parecia respirar em uníssono.

Ao sair do Spincoaster, voltas imediatamente ao ritmo frenético de Shibuya — néon, trânsito, o som distante dos sistemas de som das discotecas. Mas na tua cabeça, a mistura de músicas de lá de dentro permanece, cada faixa ainda na sua sequência. Essa é a marca de um espaço que é mais do que apenas um bar — é um editor da tua noite.

Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da secção «Tracks & Tales», subscreva ou clique aqui para saber mais.

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