Espetada e Ritmo: O Banquete de Vinil do Bambino no 11.º arrondissement de Paris
Por Rafi Mercer
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Nome do local: Bambino
Morada: 25 Rue Saint-Sébastien, 75011 Paris, França
Site: bambino-paris.fr
Telefone: +33 1 43 38 21 00
Perfil no Spotify: Bambino
O Bambino aborda a música com leveza, mas não de forma descuidada. Na Rue Saint-Sébastien, parece um bistrô luminoso e aberto — o tipo de lugar onde se pode entrar para tomar um copo de vinho e comer um prato de charcutaria sem pensar muito além da próxima hora. Mas assim que nos acomodamos, a configuração do espaço começa a revelar-se: colunas posicionadas de forma intencional, discos empilhados à vista de todos e um gira-discos que se encontra no centro da sala, em vez de numa cabine de DJ escondida.

Durante o dia, o local vibra ao ritmo de um almoço parisiense. O menu orgulha-se da sua rotisserie — frangos a girar lentamente por trás de um vidro, batatas a absorverem a gordura que escorre, o ar a transportar um calor que é em parte culinário, em parte comunitário. A carta de vinhos privilegia vinhos naturais, não filtrados, sem pressa. A música pode ser jazz brasileiro ou soul dos anos 70, na medida certa para definir um ritmo sem desviar a atenção da refeição.
Ao cair da noite, a luz diminui. As velas substituem a luz do dia e os discos tornam-se mais ousados. Os funcionários nunca anunciam uma «mudança», mas sente-se isso — as conversas tornam-se mais suaves, a linha de baixo penetra mais profundamente na sala. Chega um copo de vinho branco de contacto com as peles ou um whisky sour curto, e é como se lhe tivessem dado permissão para ficar mais um pouco.
O sistema de som deste local é um exemplo de subtileza. Tem de lidar com o tilintar dos talheres, os estalidos da cozinha, o vaivém das conversas — e, mesmo assim, mantém-se firme. Em vez de privilegiar o volume, privilegia a localização: cada mesa dá a sensação de estar no centro da música, com a imagem estéreo intacta mesmo nos momentos de maior agitação.
Numa quinta-feira à noite, dei por mim sentado numa mesa de canto, enquanto o espeto giratório abrandava e os últimos pratos da azáfama do jantar eram retirados. O DJ passou de um afro-funk animado para uma faixa de dub longa e de ritmo lento. As cabeças começaram a inclinar-se na direção das colunas. Um casal no bar virou os bancos para ficar de frente para as mesas de mistura. Ninguém dançava — não era esse tipo de noite —, mas a atenção da sala mudou, unificada, sem qualquer aviso prévio.
Há algo profundamente parisiense na recusa do Bambino em separar a refeição da música. Noutras cidades, talvez lhe digam para terminar a refeição antes de começar a «parte da música». Aqui, as duas coisas fazem parte do mesmo percurso. Uma garfada perfeita de frango assado, com a pele estaladiça a dar lugar à carne tenra, é seguida por uma linha de metais que parece ter estado à espera exatamente desse momento. Um gole de vinho encontra o seu eco no fade-out de uma guitarra.
A clientela é variada — casais locais que vêm para uma refeição informal, mas bem pensada, grupos de amigos que conhecem os discos o suficiente para acenarem com a cabeça ao ouvir uma faixa menos conhecida e, ocasionalmente, algum viajante que leu sobre o Bambino no contexto da cena emergente dos bares musicais de Paris. O ritmo é descontraído, mas as mesas vão sendo ocupadas; este não é um lugar para tratar como se fosse a sua sala de estar, embora possa parecer que o é, se estiver em sintonia com a noite.
Quando chega a sobremesa — talvez uma tarte de citrinos com um toque de merengue —, o ambiente já mudou novamente. Agora é disco, ou talvez house das Baleares, o suficiente para soltar um pouco as amarras, mas sem nunca as romper. Se o DJ estiver com disposição, poderá ouvir uma transição subtil para algo inesperado, uma faixa que, em princípio, não deveria encaixar na mistura, mas que, de alguma forma, se encaixa na perfeição.
Quando saí naquela noite, a rua lá fora estava silenciosa. Lá dentro, a música tinha acabado de mudar para algo mais lento, quase como uma canção de embalar, como se o ambiente estivesse a acalmar. O Bambino tinha-me servido duas vezes: uma vez na cozinha e outra nas cabines. Ambas as refeições deixaram um sabor duradouro.
Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais histórias da secção «Tracks & Tales», subscrever, ou Clique aqui para ler mais.