Desacelerar a cidade: Unkompress e o culto à pausa em Kreuzberg
Por Rafi Mercer
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O Unkompress é um dos bares de música mais conceituados de Berlim — descubra mais no nosso guia de locais de música em Berlim.
Nome do local: Unkompress
Morada: Solmsstraße 30, 10961 Berlim, Alemanha
Site: unkompress.de
Telefone: N/A
Perfil no Spotify: N/A
Não se chega ao Unkompress por acaso. Chega-se lá. De forma deliberada. A luz do final da tarde de Kreuzberg incide sobre as ruas de calçada e, visto do exterior, o edifício não oferece praticamente nada que pareça um convite — apenas um letreiro discreto, daqueles que dão a sensação de estar ali há muito mais tempo do que a realidade permite. No interior, a cidade respira.
A influência japonesa é imediata, mas nunca ornamental. Não há um recurso excessivo a clichés estéticos; em vez disso, tudo reside na disciplina. As mesas são baixas, de madeira e sem adornos. As cadeiras estão dispostas de forma a permitir a visão do gira-discos. As prateleiras guardam discos, não são decoração, e cada lombada está alinhada como que em deferência ao que se seguirá. Até o ar tem peso aqui — aquele tipo de quietude que nos faz tomar consciência dos nossos próprios movimentos.
Durante o dia, é uma casa de chá. O matcha é batido lentamente, o sencha servido com um ritmo deliberado. Se quisesse, poderia ficar aqui sentado durante horas sem trocar uma única palavra com a pessoa atrás do balcão e, mesmo assim, sentir-se completamente acolhido. Este é um lugar onde a presença importa mais do que o ruído.
Ao cair da noite, as caixas de chá são guardadas e as capas dos discos surgem. Jazz, música eletrónica ambiente, por vezes as intrusões divertidas da tropicalia — tudo em vinil, tudo através de um sistema hi-fi claramente escolhido por alguém que compreende a tirania de um tweeter inadequado. O volume está perfeito: suficientemente alto para te envolver, mas nunca ao ponto de te afastar.
O nome — Unkompress — diz tudo. Numa cidade onde até o silêncio pode parecer oprimido pela urgência do que está para vir, isto é um ato de resistência. Sem listas de reprodução. Sem algoritmos de streaming. Apenas a verdade calorosa e imperfeita de ritmos gravados há décadas, reproduzidos através de um ar que quase se consegue tocar.
Uma noite, observei uma hóspede — sozinha, com o casaco pendurado no encosto da cadeira — a fechar os olhos ao som de um disco do trio de Bill Evans. O tilintar dos copos no bar foi-se desvanecendo, a faixa desenrolou-se e, durante aqueles poucos minutos, a sala ficou reduzida à largura de uma única pessoa. É isso que este lugar faz: reduz a escala do mundo exatamente ao que está no ar entre ti e o altifalante.
É tentador compará-lo aos «kissaten» de Tóquio, e essa influência existe — a veneração pelo vinil, os lugares sentados virados para o som em vez de para a rua. Mas o Unkompress é também inteiramente berlinense: sem pressa, sem ser passivo, com uma clareza de objetivos bem definida, suavemente rebelde ao dar preferência à audição em vez da conversa.
Se vieres aqui à procura de entretenimento, sairás insatisfeito. Se vieres à procura de comunhão — não necessariamente com outras pessoas, mas com o próprio som — sairás preenchido. A cidade lá fora continuará a mover-se demasiado depressa, mas levarás contigo um pouco dessa lentidão, como o vapor que se eleva do último gole de chá.
Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da rubrica «Tracks & Tales», subscreva ou clique aqui para ler mais.
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