Ainda OG — O refúgio do low-end de San Jose

Ainda OG — O refúgio do low-end de San Jose

Por Rafi Mercer

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Nome do local: Still OG
Morada: 37 North San Pedro Street, San Jose, Califórnia 95110, Estados Unidos.
Site: stillog.com
Instagram: @still_og
Telefone: +1 408-320-2420

San Jose viveu durante muito tempo à sombra dos seus vizinhos. A norte, São Francisco carrega o mito; a oeste, Oakland carrega o peso do legado. Mas San Jose tem um ritmo próprio, enraizado na comunidade, na cultura automóvel e na batida mais crua do hip-hop da Costa Oeste. Esse ritmo ganhou agora um espaço próprio, e o seu nome é Still OG. Mais do que um bar, mais do que um restaurante, o Still OG é uma afirmação sonora — um espaço que trata a audição com reverência e o baixo como uma linguagem que vale a pena aperfeiçoar.

O nome foi escolhido a propósito. «OG» é aqui uma referência à autenticidade, à cultura do hip hop que tem marcado a Bay Area há décadas. Mas também remete para «Original Groove», a filosofia por trás deste espaço. Basta entrar para o sentir imediatamente. O espaço é escuro, mas acolhedor, decorado com madeira e couro, iluminado por uma luz suave que realça o ambiente sem distrair. Numa das extremidades encontra-se o bar, repleto de cocktails artesanais e uísque que se adequam ao ambiente discreto do espaço. Na outra extremidade está o sistema de som — uma configuração personalizada, ajustada à frequência que mais importa nesta cidade: os graves.

E que graves são estes! O sistema é sustentado por imponentes colunas Funktion-One, afinadas com precisão, que proporcionam graves que não se limitam a ouvir, mas que se sentem. Os golpes do bumbo atingem-lhe o peito, as linhas de baixo envolvem-lhe as pernas, mas o som nunca é grosseiro. Os médios têm peso, pelo que as vozes e os metais mantêm a clareza; os agudos brilham com nitidez. É o som de San José traduzido em arquitetura — ousado, cheio, orgulhoso, mas equilibrado. Podes conversar, podes movimentar-te, podes ficar sentado e simplesmente deixar que a pressão da sala te reequilibre.

A coleção que alimenta este sistema é igualmente séria. O hip-hop ocupa o centro — clássicos dos anos 90, temas essenciais da Costa Oeste, faixas underground — mas estende-se para além disso: funk, soul, disco, reggae, jazz. Tanto os DJs residentes como os convidados tratam a cabine como um altar, criando noites que fluem em vez de se fragmentarem. Não há transições baratas, nem momentos de jukebox para agradar à multidão. Em vez disso, há curadoria, narrativa através dos discos e paciência na construção do ambiente. Uma noite no Still OG é menos uma festa e mais uma narrativa, escrita em vinil.

A ementa de bebidas é elaborada com o mesmo cuidado. Os cocktails tendem a ser escuros e fortes — Old Fashioneds, Manhattans, Negronis de mezcal — a par de especialidades sazonais que fazem referência aos produtos da Califórnia. A seleção de uísques é extensa, a ementa de cervejas curta mas bem escolhida. O serviço é calmo e confiante, com os funcionários a acompanharem o ritmo do espaço: sem pressa, atentos, sempre em sintonia com a música. Pede-se, saboreia-se e, em pouco tempo, percebe-se que a bebida se tornou parte do ritmo — um copo que sobe e desce ao compasso das batidas à sua volta.

A comida também faz parte da experiência: um menu concebido para partilhar, com sabores intensos à altura da potência do sistema. Mantém as pessoas à mesa por mais tempo, permitindo que as noites se prolonguem, para que as conversas e a música se entrelaçem. Pode vir jantar e ficar até ao fecho sem, sequer por um momento, sentir a necessidade de sair. Essa continuidade é deliberada. Afinal, o OG pretende ser uma noite completa, não uma paragem a caminho de outro lugar.

A multidão reflete a própria cidade de San Jose — diversificada, com os pés no chão, leal. Os habitantes locais que cresceram com o hip-hop da Bay Area partilham o espaço com ouvintes mais jovens que descobrem os discos de vinil pela primeira vez. Os trabalhadores do setor tecnológico escapam à esterilidade dos seus campus, enquanto artistas e músicos consideram o bar um ponto de encontro. O ambiente é democrático: sem cordões de veludo, sem qualquer sensação de hierarquia, apenas pessoas reunidas em torno de um respeito comum pelo som.

O que torna o Still OG tão essencial é o facto de enraizar a cultura global dos bares de música no solo local. Faz uma referência à tradição dos «kissaten» de Tóquio, aos bares de vinil de Brooklyn e aos salões para audiófilos de Londres, mas fá-lo com o ADN da Bay Area. A estética «lowrider», o amor pelos graves, a reverência pelo hip hop: tudo isto não é importado, é vivido. O Still OG não finge ser outra coisa. É San Jose, na sua essência.

Ao voltar para a Rua San Pedro, a agitação da cidade volta a envolver-te — restaurantes a transbordarem, o zumbido dos carros, o brilho distante do SAP Center. Mas o teu corpo ainda carrega o peso daquela sala, a ressonância dos graves afinados na perfeição. Afastas-te mais devagar, mais pesado no melhor sentido da palavra, lembrando-te de que, em San Jose, a fidelidade fala nos graves. O Still OG prova que a cidade sempre teve uma voz; só precisava da sala certa para que a pudesses ouvir.

Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da rubrica «Tracks & Tales», subscreva ou clique aqui para ler mais.

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