Moi: O refúgio em tons de veludo do Soho para uma experiência auditiva íntima
Por Rafi Mercer
O Moi é um dos bares de música mais conceituados de Londres — descobre mais no nossoguia de locais de música em Londres.
Nome do local: Moi
Morada: 8 Greek Street, Soho, Londres W1D 4DG, Reino Unido
Site: moilondon.com
Telefone: +44 20 7437 2210
Ao Soho não lhe faltam espetáculos, mas o Moi destaca-se por baixar o volume e suavizar os contornos. Na Greek Street, a poucos passos do tipo de néon que faz o West End cintilar durante a noite, o Moi entra num registo diferente. Não tenta competir com o carnaval. Atrai-nos suavemente, com a promessa de que a música ainda pode ser uma forma de arte íntima, mesmo no coração do bairro mais barulhento de Londres. Enquanto o «Under the Counter» mantém as cartas na manga e cultiva um silêncio semelhante ao de uma biblioteca, o «Moi» oferece tons aveludados e um abraço mais acolhedor, mais parecido com ser convidado a entrar no apartamento privado de alguém do que com ser conduzido a um bar público.
O nome assenta bem. «Moi» soa como um sussurro, uma única sílaba que transmite uma sensação de cumplicidade. E, ao entrar, descobre-se um espaço concebido para transmitir uma sensação de intimidade, mesmo quando o local está meio cheio. A decoração é suave, com uma paleta de cores intensas e texturas suaves — bancos de veludo, madeira polida, poças de luz difusa a refletir-se nas capas de discos que revestem as paredes. As prateleiras estão organizadas menos como num museu e mais como a coleção cuidadosamente mantida de um amigo, que privilegia um gosto eclético em detrimento de fronteiras rígidas entre géneros.
O sistema de alta fidelidade emite um zumbido com uma autoridade discreta. O som é equilibrado, presente sem ser agressivo; é o tipo de sistema capaz de fazer com que, ao ouvir um disco de jazz vocal, pareça que o cantor está inclinado sobre a mesa, ou que uma linha de baixo dub vibre pelo chão sem interromper a conversa. Ao contrário da alegria crua dos Mad Cats, o Moi opta por uma precisão suave — um som que revela detalhes em vez de exigir atenção.
A programação do Moi reflete esta filosofia. Não se ouvem DJs a tentar exibir o seu repertório ou a levar a sala ao caos. Em vez disso, os seletores aqui constroem arcos lentos e deliberados: o city pop japonês a fundir-se com a chanson francesa, discos de folk tranquilos a transformarem-se em bandas sonoras cinematográficas, uma faixa disco tocada com moderação à meia-noite para nos lembrar do ritmo lá fora. As noites parecem ter sido concebidas a pensar no ambiente, em vez de na reação do público, uma lembrança de que ouvir música pode ser uma experiência cinematográfica, tendo tanto a ver com a criação de atmosfera como com a apresentação de faixas individuais.
A ementa de bebidas dá continuidade ao tema: elegante, mas sóbria. Os cocktails são mexidos, em vez de batidos com estilo, e cada um é servido em copos simples que se adequam à estética minimalista. Um negroni de mezcal com notas fumadas convive harmoniosamente ao lado de um delicado martini; um highball de saquê vibra com a mesma frescura do sistema de som. Os pratos têm uma inclinação europeia com subtis referências à Ásia: ostras, charcutaria, saladas crocantes, manteiga de miso cujo sabor perdura como um bom refrão. Nada parece forçado; tudo se adapta ao ritmo do espaço.
O Moi não se baseia no espetáculo, e é precisamente aí que reside a sua magia. No Soho, onde os bares competem para serem vistos, o Moi convida-te a passar despercebido por um bocado — a desaparecer num casulo de som e atmosfera. É o tipo de lugar onde podes levar alguém importante e ter a certeza de que essa pessoa não se vai lembrar da multidão nem do volume, mas sim da forma como a música parecia fazer o ar mudar à sua volta. Essa contenção torna-o memorável, uma qualidade rara nesta zona da cidade.
A clientela reflete essa energia. Encontrará casais atraídos pela intimidade, pequenos grupos aconchegados nos cantos com uma garrafa de vinho natural, ouvintes solitários que vêm pela pura alegria de um espaço que sabe tocar discos como deve ser. Não há restrições à entrada, a não ser a capacidade máxima, mas o ambiente afasta naturalmente quem procura o caos. Em vez disso, o Moi reúne aqueles que têm curiosidade suficiente para reparar no letreiro, ousadia suficiente para entrar e paciência suficiente para se sentarem a apreciar o som.
O que o Moi consegue é subtil, mas acrescenta um novo fio condutor à cultura auditiva de Londres. Enquanto o Spiritland celebra a grandiosidade e a perfeição técnica, o Moi lembra-nos o poder da intimidade. Nesse sentido, parece-se mais com a tradição dos kissaten de Tóquio — pequenos, focados, concebidos para o pormenor — do que com as grandes salas de audição noutras partes da cidade. É a forma que o Soho tem de nos lembrar que menos pode ser mais e que, na sua melhor forma, ouvir é um segredo partilhado.
Ao sair do Moi, volta-se à Greek Street com os ouvidos em alerta. Os gritos, o trânsito, os néons parecem todos mais agressivos, mais altos, mas, por um momento, leva consigo a calma aveludada daquela sala. Numa cidade que raramente pára de falar, o Moi mostra o valor de ouvir com delicadeza.
Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da rubrica «Tracks & Tales», subscreva ou clique aqui para ler mais.
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