Vibração e Comunidade: O espírito de escuta do Jago em Dalston

Vibração e Comunidade: O espírito de escuta do Jago em Dalston

Por Rafi Mercer

Novo anúncio

O Jago é um dos bares de música mais conceituados de Londres — descubra mais no nosso guia de locais de música em Londres.

Nome do local: The Jago
Morada: 440 Kingsland Road, Londres E8 4AA, Reino Unido
Site: thejagodalston.com
Telefone: +44 20 7254 9734
Perfil no Spotify: N/A

Há um determinado troço da Kingsland Road onde o ar do fim de tarde parece mais denso — não devido aos gases do trânsito ou ao calor do frango frito, mas sim à expectativa. É onde o ritmo de Dalston se faz sentir com mais intensidade, pronto para ser captado e explorado. No meio de tudo isto ergue-se o The Jago: um edifício vitoriano que testemunhou um século de mudanças, agora dedicado à comunidade, à música e ao tipo de noites que não se planeia terminar cedo.

Ao entrar, é o som que nos dá as boas-vindas em primeiro lugar. Não é o volume — o Jago não se apressa a mostrar o seu lado mais alto —, mas sim a profundidade. Mesmo no murmúrio suave de uma noite antes do espetáculo, há um calor no ar, uma sensação de que a sala foi concebida para acolher a música nas suas mãos.

O bar do rés-do-chão parece um ponto de encontro antes de uma viagem. A madeira, o tijolo e o couro suavemente desgastado conferem-lhe um ar acolhedor; cartazes de concertos futuros misturam-se com panfletos de eventos comunitários. Aqui pode beber uma pinta, mas também pode facilmente pedir um cocktail, servido lentamente por alguém que já está a par do alinhamento musical da noite.

É no andar de cima que a escala muda. O palco não é grande, mas tem presença — o suficiente para acolher uma banda de afrobeat de dez elementos numa noite e, na seguinte, um único poeta sob os holofotes. O som aqui é um exemplo de adaptabilidade. Para bandas ao vivo, os engenheiros equilibram a potência com a clareza, permitindo que as linhas de baixo se façam ouvir sem abafar os metais. Para sessões de vinil ou digitais, o mesmo espaço assume uma nova dimensão — mais compacto, mais acolhedor, com os agudos a ecoarem suavemente até às vigas.

Já estive aqui numa sexta-feira, quando a multidão estava ombro a ombro, com os sons das trompas a rasgar o ar enquanto os tambores impulsionavam tudo para a frente. E já estive aqui a meio da semana, quando talvez trinta pessoas estavam sentadas ou de pé, com os olhos fixos no canto onde um DJ fazia soar os dub plates numa sala que parecia poder estar em qualquer lugar, desde Kingston até Camden.

O ponto forte do Jago é a sua abertura. Não se limita a um único género, a um único ambiente ou a um único público-alvo. Pode acontecer de ter uma noite de ethio-jazz, seguida de uma apresentação de grime local e, depois, de um evento familiar num domingo à tarde. Não é uma mistura aleatória — é organizado com a mesma filosofia que permeia todo o edifício: a música é para todos e todos são bem-vindos, desde que venham para ouvir.

E aqui as pessoas ouvem mesmo. Mesmo no meio de uma multidão mais animada, há um respeito pelo artista, pelo DJ e pelo momento. Dá para perceber que isso se deve, em parte, à acústica — ouve-se melhor quando o espaço retém o som para nós —, mas também ao público que o Jago atrai. Há um pacto tácito: o palco dá, nós recebemos, e a troca é melhor se não for perturbada.

Houve uma noite que se destacou particularmente. Um pequeno trio de jazz tinha acabado de subir ao palco: contrabaixo, tarola com escovas e um saxofone tenor. Entre as músicas, o saxofonista contava histórias sobre a sua infância no bairro. O público inclinou-se para a frente — não porque tivesse de se esforçar para ouvir, mas porque queria captar cada palavra. Era como se a própria sala tivesse decidido ouvir.

Para além da música, o The Jago tem uma missão social enraizada nas suas próprias paredes. Colabora com organizações locais, organiza workshops e utiliza a sua plataforma para dar visibilidade não só aos artistas, mas também a causas. O resultado é que não parece tanto um espaço que se visita, mas sim um lugar para o qual se é convidado.

Ao sair do The Jago numa noite quente, a Kingsland Road vibra de forma diferente. Foste parte de algo — talvez uma grande festa cheia de suor, talvez um concerto tranquilo e complexo. Seja como for, o som acompanha-te enquanto te afastas, e não consegues evitar olhar para trás, para o edifício, quase à espera de o ver ainda a pulsar na escuridão.

Rafi Mercer escreve sobre os espaços onde a música é importante. Para ler mais artigos da secção «Tracks & Tales», subscreva ou clique aqui para saber mais.

Saiba mais: Veja a nossa coleção de «Listening Bars » para espaços em todo o mundo.

Voltar às histórias

Não é uma lista de reprodução.

O número de membros fundadores está limitado a 200 em todo o mundo. O Clube de Audição «Tracks & Tales» destina-se a quem compreende que ouvir não é apenas ruído de fundo, mas sim uma forma de estar presente.

INSCRIVA-SE AGORA